9 de março de 2021Informação, independência e credibilidade
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Motoboy: Um novo olhar sobre uma profissão que se firmou na pandemia

Para atender ás demandas do isolamento, eles se multiplicaram e e se tornaram fundamentais.

Refletindo – enquanto aguardo a entrega da minha refeição – sobre essa nova forma de vida que nos moldou nesse período de quase um ano, desde que nossa rotina foi tirada dos eixos por causa (e efeito) da pandemia do coronavírus; quando a ordem da sobrevivência nos determinou com voz ativa: Fica em casa!

No geral, nossa relação com o mundo ao nosso redor mudou de forma radical. Tivemos que nos fechar no nosso isolamento; a maioria teve que levar o trabalho pra casa, abrir espaço pra ele no meio da família e se adaptar ao sistema de home-office (que veio pra ficar). Em outros casos, ocorreu o contrário; trabalhadores saíram de casa e se multiplicaram nas ruas, no pico da crise, ocupando os espaços vazios no atendimento às necessidades dos que estavam isolados.

Água, gás, bebidas, quentinhas, pizzas, remédio, hortifrutis, a feira do mercadinho e outras encomendas diversas que cruzam as ruas pra chegarem ao seu destino…

Daria para imaginar, um ano atrás, o quanto os motoboys se tornariam fundamentais em nossas vidas? Logo eles, de quem costumamos reclamar quando ziguezagueiam no trânsito à nossa frente, ganhando passagem; ou quando acionam aquela buzina insistente na porta do vizinho, perturbando nosso sossego!

Para muitos de nós, a importância social dessa atividade passava invisível – ou visível apenas pelos transtornos que vez ou outra são causados. O motoboy não tinha status profissional, era visto com certa desconfiança, embora essa atividade fosse (e mais que nunca continua sendo), para muitos, a oportunidade única para sustentar a família, estudar e realizar alguns sonhos.

E não é fácil: Lutar contra o clima, horário, assaltos, trânsito e o mal humor de clientes que nem sempre têm empatia e nem paciência de tolerar qualquer atraso na entrega de sua encomenda, faz parte da luta diária desses moços e moças que congregam de maneira comum de dois gêneros, na atividade de motoboy.

Hoje, vejo com olhos melhores os motoboys que cortam o meu caminho, velozes, com suas caixas nas costas para atender os pedidos de quem está em casa aguardando a mensagem que diz: sua encomenda chegou (a alimentação, o remédios…), sem que precise sair às ruas e se expor aos perigos de contaminação pelo vírus que persiste. Tenho um outro olhar sobre essa categoria que se tornou necessária em nossas vidas e um dos suportes da economia brasileira nesse período, fazendo girar as mercadorias que, sem eles, possivelmente estariam no estoque (esperando a pandemia passar).

São trabalhadores que vieram pra ficar. Precisam de regras que gerais e bem definidas que norteiem a atividade, as responsabilidades, a segurança, as relações de trabalho, a proteção à vida. Precisam de mais empatia e respeito da nossa parte. Às vezes falo pro meu filho, enquanto o motoboy aguarda na portaria do prédio para entregar nossa encomenda: – Desce logo, que lá embaixo tem um trabalhador com um monte de entrega para fazer e com clientes prontos para reclamar por qualquer atraso.

É desse olhar que eles também precisam.

 

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