24 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Não foi só Ramos: Ministros militares de Bolsonaro estão aos montes se vacinando escondido

Enquanto mais de 400 mil morreram no país do presidente que sabota ações contra o vírus e defende cloroquina, alto escalão de forma hipócrita e contraditória busca a imunização

Após o ministro do Gabinete Civil, general Luiz Eduardo Ramos, deixar escapulir que de forma patética se vacinou escondido contra covid-19, outros dois militares do governo Bolsonaro resolveram fazer o mesmo.

O almirante Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia e o general Braga Netto, (apenas o) da Defesa também saíram do armário e foram imunizados.

Seja para não bater de frente contra o presidente Jair Bolsonaro, que desde o primeiro dia tem agenda contrária à vacinação e afirma que cloroquina é melhor, ou por puro medo e vergonha, o alto escalão está em busca da vacinação.

Leia mais: Bolsonaro, Guedes e Ramos dão a entender que o governo atua para matar

A informação é do jornal O Globo chega dias após a confissão patética de Ramos e na data da marca de 400 mil mortos por covid-19 em todo o Brasil.

Dos oito ministros do governo federal que já estão em idade para tomar a vacina contra a Covid-19 no Distrito Federal, ao menos seis já receberam a primeira dose.

O ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral, afirmou que decidiu não tomar a vacina, apesar de já ter direito. Segundo sua assessoria, Onyx está “controlando sua imunidade e, a princípio, tomará quando todos estiverem vacinados”.

O discurso é igual ao do presidente Jair Bolsonaro, que repetiu nesta quarta-feira que só irá receber o imunizante depois que “o último do Brasil tomar”.

Vai ver eles dois, também de forma mentirosa, covarde de hipócrita, também já tenham se vacinados de forma escondida. Fazendo exatamente o contrário de como falam. Vale lembrar: além de todos os absurdos falados por Bolsonaro, Onyx falou que é impossível fazer lockdown por causa das formigas“.

Três ministros já haviam divulgado que tomaram a vacina: Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Tereza Cristina (Agricultura) publicaram fotos em suas contas no Twitter, enquanto Paulo Guedes (Economia) foi filmado enquanto recebia o imunizante e deu uma entrevista depois.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, que tem 63, pode se vacinar no Distrito Federal desde a última sexta-feira. Procurada, a assessoria de imprensa do MEC não informou a O Globo se ele já recebeu o imunizante.

O vice-presidente Hamilton Mourão também já foi imunizado contra o coronavírus. Ele foi fotografado e divulgou em suas redes sociais o momento da vacinação.

Ou seja: enquanto mais de 400 mil morreram no país do presidente que sabota ações contra o vírus e defende cloroquina, alto escalão de forma hipócrita e contraditória busca a imunização.

Não se vacine, Bolsonaro

Liderando este ministro e apoiado por uma questionável parcela da população, está o presidente Jair Bolsonaro, que segue tentando militarizar a situação e enfiar cloroquina na goela, ou mesmo vias aéreas, da população. E, aparentemente, sem ter se vacinado ainda.

“Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso presidente, independente de todos os posicionamentos. E nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele no momento corre risco. Ele tem 65 anos”. Luiz Eduardo Ramos.

Com todo respeito ao general Gemos, como todo líder de uma seita que se preze, Bolsonaro deveria ser insano o suficiente para acreditar no que fala. Afinal, biblicamente, ele afirma que a verdade o libertará. Sendo este o caso, fica a dica para o presidente: nunca se vacine.

Jair Bolsonaro precisa acreditar em seu discurso. Ele afirma que já fez o melhor ao seu sistema imunológico ao ser infectado com o novo coronavírus. Portanto, não precisaria ser vacinado, como perguntaria um imbecil. Afinal, só “idiota” pediria pra comprar mais vacina, “só se for na casa da mãe”.

Mas ele diz para seu gado, para seus seguidores, que a vacina não é necessária. Ainda mais a “vachina”, usada em 80% dos casos no Brasil. Então ele precisa ouvir mais seus próprios conselhos. Fazer parte do povo, abraçar de vez o bolsonarismo.

Bolsonaro precisa seguir com o povo. Mas nos hospitais, onde também precisam de sua presença. E que vá sem máscara, pois é “coisa de viado“. Tem que abraçar e dar beijo hétero em médico que receita tratamento precoce. Fazer nebulização de hidroxicloroquina. Abusar de ivermectina. Enfiar ozônio no rabo. Encarar o vírus como homem, e não maricas.

Basta que ele acredite nos seus ideais e ignore todos os sinais. Afinal, é só uma gripezinha. Ele precisa ser um patriota. Dar o valor à sua vida o mesmo que a nossa vem valendo aos seus seguidores: nada.

Sugerir isso não é errado, pois ele fala com tanta convicção, parece estar tão certo disso (convenhamos, é literalmente o que ele vem sugerindo há mais de um ano) que não há outra alternativa que não o líder dos bolsonaristas encarar de perto e seu medo o vírus.

Tão certo quanto saber que se tem alguém para culpar nessa tragédia nacional, é Jair Bolsonaro, presidente da República, que infelizmente tem tirado a vida de muitos brasileiros.