21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

PF prova que Gabinete do Ódio tem participação da Secom de Bolsonaro

Um dos assessores chegou a ganhar mais de 300 mil dólares com vídeos de desinformação no YouTube

Tércio Tomaz, o líder do Gabinete do Ódio, ao lado do presidente Jair Bolsonaro

Enquanto se enrolava entre as diversas mentiras que contou na CPI da Covid, Fabio Wajngarten, ex-titular da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), jurou que Tércio Thomaz, ligado ao Gabinete do Ódio, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, não tinha relação com o trabalho da pasta.

Pois bem: na PF, o próprio Tércio admitiu que ele e dois outros assessores tinham atuação junto à Secom.

O tal Gabinete do Ódio é o nome dado ao grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto e distorcem informações, principalmente, nas nas redes sociais. A desinformação, mentira escancarada e ataques contra adversários acontecem em páginas de apoio à família Bolsonaro, com Tércio Thomaz sendo considerado o líder do grupo.

Tércio repassou vídeos do presidente para os responsáveis pelo canal do Youtube Foco do Brasil, alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O envio sistemático de vídeos para o canal com mais de 2,3 milhões de inscritos foi confirmado por Tercio em depoimento à PF, e referendado por dois responsáveis pelo canal: Anderson Azevedo Rossi, o dono do Foco do Brasil, e Cleitomar Basso.

De acordo com as investigações, entre março de 2019 e maio de 2020, somente Rossi recebeu US$ 307.042,14 (mais de R$ 1,54 milhão com a cotação da moeda americana)apenas com a monetização de vídeos no Youtube. O dono do canal Foco do Brasil afirma em depoimento que seu faturamento mensal varia entre R$ 50 mil e R$ 140 mil.

“O declarante durante viagens, eventos ou entrevistas do Presidente da República realiza (ou recebe) pequenas filmagens que possam ser distribuídas para canais ou mídia tradicional, situação que abarca o canal FOCO DO BRASIL”. Relatório da PF.

Responsáveis pela rede de desinformação presidencial foi montada por Carlos Bolsonaro

Depoimento

Tércio entregou os nomes de José Matheus Salles Gomes e Mateus Diniz e confirmou que eles faziam articulações e intermediavam a comunicação e o diálogo da Secom com a Presidência. O trio foi escolhido pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, o 02 pitbull das redes.

O trabalho, que teve sua existência negada pelo presidente Bolsonaro diversas vezes, acontece em uma sala situada no Palácio do Planalto. Entre os três, é dividia as tarefas de:

intermediar os assuntos com a Secom, de interesse de comunicação;

auxiliar a interligação da Secom com a assessoria pessoal do Presidente da República

acompanhar a agenda do presidente da República, realizar a análise de cenário da internet (temas que podem ser polêmicos ou de interesse do governo) para assessorar o presidente da República na tomada de decisões.

Em depoimento, o assessor disse que “sua função está mais ligada à área de comunicação do governo como um todo, envolvendo a parte de estratégia de comunicação das atividades desenvolvidas pelo governo (ideias, sugestões, temas que não devem ser abordados em determinado momento etc.)”.

Tércio

Tércio Thomaz tem curso incompleto em biomedicina e foi assessor do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados ao longo do ano de 2017. Em 2018, foi formalmente lotado no gabinete de Carlos Bolsonaro, mas não trabalhava de fato na Câmara de Vereadores do Rio: ele prestava serviços para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro.