23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Vídeo: Vaza na CPI áudio de Omar Azis reclamando de Marcos do Val: “cabra vem aqui falar uma merda”

Governista disse que Luana Araújo queria ser “dona da verdade” por vetar cloroquina e o presidente da CPI e demais senadores disseram que não aceitariam ataques à ciência

Enquanto o senador Marcos do Val, bolsonarista da tropa de choque na CPI da Pandemia, se preparava para questionar a médica infectologista Luana Araújo, vazou um áudio do presidente da comissão, o senador Omar Azis, reclamando da participação do colega:

“Depois de horas da mulher falando…um cabra desse vem falar uma merda dessa”. Omar Azis.

Marcos do Val, enquanto defendia o tratamento precoce e médicos que indicavam a cloroquina, o senador disse que a infectologista seria “dona da verdade”.

Isso irritou o senador Azis. Irritado, ele e os demais senadores disseram que não aceitariam ataques à ciência. Outro bolsonarista, Marcos Rogério, tentou defender o colega do Val.

Luana Araújo foi anunciada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, como secretária de Enfrentamento à Covid. No entanto, 10 dias depois o governo informou que ela não ocuparia cargo. A infectologista havia se manifestado contra o uso da cloroquina no tratamento da covid. Queiroga disse que ela não agradou ao presidente.

Na CPI, a médica infectologista Luana Araújo classificou como “delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente” a discussão sobre o tratamento precoce contra a covid-19.

“Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente. Quando eu disse que há um ano atrás nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso, nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que lado da borda da terra plana a gente vai pular”. Luana Araújo, médica infectologista.

Esse tipo de tratamento, com uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina, substâncias com ineficácia cientificamente comprovada para a doença, vem sendo defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início da pandemia.