26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bebianno: Presidente quer o caos para se manter no poder e Carlos precisa de tratamento

Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência disse que Carlos Bolsonaro atrapalhou segurança no dia da facada

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, concedeu uma entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, e respondendo às perguntas, deu diversas opiniões sobre o governo Bolsonaro e algumas das figuras no entorno do presidente. Confira os principais pontos:

Carlos Bolsonaro.

“Carlos Bolsonaro atrapalhou o esquema de segurança, o que resultou no não uso do colete à prova de balas e naquela tragédia da facada. Ele foi dentro do carro com um drone. Parecia uma criança. O resultado? Jair Bolsonaro desembarcou sem o colete. O colete não teria evitado 100% o ferimento, mas teria limitado a penetração da faca (…) Ele é instável, demonstra um nível de agressividade despropositada e deveria procurar um tratamento. A pressão que Carlos faz é tão grande que Bolsonaro não consegue se contrapor ao filho. Como aquela criança que quer um presente no shopping, não ganha e sai rolando pelo chão, esperneando, enquanto o pai não tem pulso suficiente para dar um basta”.

Caos no entorno de Bolsonaro

“Ele quer o caos, para criar ruptura institucional. Ele quer ficar lá para sempre. É isso. O presidente parece que escolhe a dedo pessoas muito perigosas. Inclusive, há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou sequestrar um jornalista do sistema Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel, uma coisa meio forçada. O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado. O assunto foi levado à direção da TV Globo, foi parar no departamento jurídico do jornal O Globo, e essa pessoa foi notificada inclusive pelo sistema Globo para que não se aproximasse mais do Lauro Jardim. Essa mesma pessoa já ameaçou uma jornalista da revista Época e já fez ameaças veladas a outra jornalista do jornal O Globo. São essas as pessoas que estão ao redor do presidente”.

Instituição

“Não tenho bola de cristal, não sei o que vai acontecer. Mas temo por uma ruptura institucional. A minha grande crítica é que o presidente está atrapalhando (…) me assusta, o presidente eleito recentemente e só pensar em reeleição. Se você tiver o cuidado de pegar a agenda presidencial, você vai ver que ele só pensa em reeleição, reeleição..,. Ele praticamente não trabalha pelo Brasil. O risco é esse, a começar pelos filhos. AI 5 pra cá e pra lá, críticas infundadas a outros poderes”.

Mourão

“O desejo de Bolsonaro era de que o general Mourão fizesse um papel de espantalho, que quando as pessoas pensassem em impeachment olhassem para Mourão e chegassem à conclusão que seria melhor manter o Jair Bolsonaro na presidência. Só que esse projeto não deu certo porque desde o início o general Mourão mostrou o quão capaz ele é, um homem muito sério, que jamais colocaria o Brasil num caminho de aventura. Quando esse plano não deu certo, o general Mourão passou a ser alvo de ataques, gerou ciumeira, mostrou que talvez ele fosse muito mair que o presidente intelectualmente, culturalmente, etc.”.

Bebianno

Bebianno foi o primeiro ministro a ser demitido no novo governo, em fevereiro do ano passado. A sua saída da Secretaria-Geral da Presidência aconteceu em meio a uma crise com suspeitas de candidaturas laranjas no PSL, que era então partido do presidente, e agravou-se após episódios de desentendimentos com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Em dezembro, o ex-ministro se filiou ao PSDB do Rio de Janeiro, em um evento que contou com a presença do governador de São Paulo, João Doria, que deve se colocar como opção em uma eventual disputa com Bolsonaro para a presidência em 2022 e já tem travado intensos debates com o presidente.