29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
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Eliana Cavalcanti: a bailarina que respeitou sua arte e seu tempo

Mais que uma bailarina, uma mulher lutadora, digna da arte que abraçou

Eliana Cavalcanti: arte e cidadania no ballet

Desde que decidiu encerrar suas atividades como primeira grande bailarina de Alagoas, Eliana Cavalcanti, deixou entristecido o meio artístico nesta terra.

Ela, mais que uma bailarina, é uma mulher lutadora, centrada no seu campo e com visão de direitos da cidadania e de respeito aos semelhantes.

Em cada passo, além da dança, uma coreógrafa, escritora, formadora de gerações que venceu barreiras e encantou nos palcos com movimentos mágicos e precisos.

Eliana também é autora do livro Gota d’água − o abuso do poder e a eloquência múltipla da palavra – lançado em 2011.

Por que parou, parou por quê?

Na verdade, cumpriu e respeitou seu tempo. Mas, antes construiu as pontes necessárias para o espetáculo – que sempre amou – em princípios continuar com os novos talentos que brotaram de sua escola.

Talvez tudo tivesse sido diferente, se não fosse a tragédia do Pinheiro, bairro vítima do maior crime ambiental do mundo provocado pela mineradora Braskem, onde estava situada a  Academia de Ballet Eliana Cavalcanti.

Com toda certeza encerrar as atividades no mundo da arte não foi uma decisão simples. Como não foi simples viver nesse meio complexo e repleto de adversidades de toda ordem, na terra alagoana, para uma pernambucana de origem.

Mas o encerramento se deu tal como fazem astros e estrelas do mundo esportivo, quando o tempo chega senhor da razão. Com total dignidade.

Soltam-se os laços das sapatilhas, mas fica o legado da arte e da mestra determinada, dedicada, da força de vontade em busca da perfeição nas formas elásticas e da paixão pela dança clássica por excelência.

Eliana Cavalcanti parou nos palcos, onde militou a vida inteira, com puro talento e ousadia. Mas bem sabe que sua luta pela harmonia no mundo cultural, com todas as alegrias e tristezas vividas, não para. Principalmente por que a arte pulsa em seu ser.

Evoé, primeira bailarina!

 

One Comment

  • Avatar Gin Santos

    Mestra inesquecível! Nunca esquecerei dis seus ensinamentos. Hoje o que sei foi repassado pela senhora. O Ballet Clássico entrou na minha vida através do Ballet Eliana Cavalcanti e do Balé Íris de Alagoas. Obrigado Eliana Cavalcanti por rudo.

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