4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Em dia com 1.582 mortes confirmadas, Bolsonaro critica máscaras e isolamento

“Opinião” do presidente em live é a de que equipamento causa irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração

Os números da pandemia evidenciam um período trágico no Brasil. Completado um ano desde o primeiro caso confirmado de Covid-19, o Brasil perdia mais de 250 mil pessoas para o novo coronavírus. Um dia depois, no início do segundo ano da maior crise sanitária mundial, o país quebra um recorde infeliz, com 1.582 mortes confirmadas em um período de 24 horas.

E potencializando a tragédia, de forma preocupante, o presidente Jair Bolsonaro resolveu, em mais uma live de conteúdos questionáveis, emitir sua “opinião” contra fatos e evidências científicas. Desta vez, pregando contra o uso de máscaras. “Começam a aparecer os efeitos colaterais das máscaras”, disse o presidente.

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Tirando conclusões não se sabe de onde (há quem diga, de onde se aplicaria a ozonioterapia), o presidente opinou sem nenhuma fonte concreta sobre as máscaras serem “prejudiciais” às crianças, causando irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

“Eu tenho minha opinião sobre as máscaras, cada um tem a sua, mas a gente aguarda um estudo sobre isso feito por pessoas competentes”. Jair Bolsonaro, presidente.

Isolamento social

O presidente, como não poderia deixar de ser, foi além e também questionou o isolamento social. Em sua visão, a população “quer voltar a trabalhar”. E culpou governadores e prefeitos por “obrigarem” as pessoas a ficarem em casa. Ele ainda se esquivou de qualquer responsabilidade sobre um próximo auxílio emergencial, empurrando a obrigação para prefeitos:

“Quem quer auxílio emergencial e a cidade está fechada. Vão cobrar do prefeito, vão cobrar do governador, já que ele quer que você fique em casa eternamente e quer mandar a conta para nós pagarmos. Eu teria o maior prazer de pagar eternamente um salário para todo mundo viver numa boa, sem trabalhar, mas isso não existe”. Jair Bolsonaro.

Não é difícil de imaginar que a mente que cria problemas no uso de máscaras, contra um vírus transmissível pelo ar, seja incapaz de compreender fatos e evidências sobre os benefícios das medidas de isolamento e distanciamento social.

Responsável

Enquanto o presidente segue com discurso sabotador e de negação, fica cada vez mais difícil enxergar um fim para essa pandemia no Brasil.

Como figura de autoridade máxima do Governo Federal, e venerado pelo seu rebanho que é incapaz de adquirir imunidade (em tempo: nunca na história da humanidade foi adquiria a imunidade de rebanho de forma natural, apenas com vacinação), o presidente vai continuar desinformado e por tabela matando pessoas.

O discurso de Jair Bolsonaro está matando pessoas.

E isso não apenas os bolsonaristas que dão ouvidos ao presidente e evitam máscaras, distanciamento social e até mesmo vacinação – como o trágico caso da enfermeira de Arapiraca que morreu depois de recusar a “vacina chinesa”. Os seguidores do mito também contaminam pessoas que rejeitam ou não querem nem saber do discurso do presidente.

Brasileiros estão morrendo aos milhares todos os dias. Em cada uma das últimas 5 semanas morreram mais pessoas do que a previsão de Bolsonaro para toda a pandemia. O presidente havia garantindo apenas 8 mil mortes por conta da “gripezinha”. Agora, já estamos em 251.661 e subindo.

Até quando vamos ter que continuar ouvindo um tiozão do zap falando merda genocida de forma oficial durante essa pandemia?