20 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Pandemia completa um ano no Brasil com 250 mil mortos e país à venda

Ignorando mortos, governo prioriza agenda de privatizações e deixa de lado compras de vacinas ou segindas

Há um ano, o Brasil registrava seu primeiro caso do novo coronavírus, um paciente que testou positivo para o vírus no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

O país passou então a ser o primeiro da América Latina a confirmar um caso do vírus que, naquela data, havia matado 2.708 pessoas. Apesar de todas as evidências, como as dezenas de mortes diárias na Itália, ou alertas de cientistas, o presidente Jair Bolsonaro parecia não se importar.

Bolsonaro, por negacionismo, pura incompetência ou sabotagem, sustentava a tese de que tudo não passaria de uma gripezinha, que mataria apenas idosos e não pessoas com histórico de atleta como ele. Afinal, o Brasil já estaria naturalmente imune a isso, pois parte de nossa população já vive no esgoto – o triste dessas sentenças são serem ditas pelo presidente.

Seu “ministro da Saúde não oficial”, o médico Osmar Terra, todo dia dizia que o problema acabaria dentro de dois meses, que não mais do que 8 mil pessoas morreriam e foi, junto com os bolsonaristas, o maior defensor da Economia em detrimento da Saúde.

Corta para 2021: no mundo, já morreram 2,5 milhões de pessoas, um número 900 vezes maior se comparado com aquele 25 de fevereiro de 2020. E destas milhões de mortes, 10% aconteceram no Brasil. Um ano após seu primeiro caso, mais de 250 mil pessoas deixaram de viver – ou, para melhor explicar aos que não entendem, tiveram seus “CPFs cancelados”, como gosta de cantar Sikêra Jr.

O número de mortos no Brasil seria o suficiente para lotar o Maracanã três vezes. Claro, os números só tendem a crescer, pois “recordes existem para serem quebrados” e não há ação ou nem mesmo vontade para impedir isso. Nem mesmo para vacinação há interesse.

Diante de tanta incompetência Federal, que hoje acumula dois ministros da Saúde exonerados e o atual ocupante um general considerado “especialista em gestão” porque trabalhava no almoxarifado, falta de oxigênio e pacientes morrendo sufocados no Norte do Brasil, foi preciso o STF confirmar que os Estados podem assumir suas ações nesta pandemia.

E como em toda crise, há uma oportunidade, o presidente Jair Bolsonaro, completamente avesso a qualquer medida da (OMS) (Organização Mundial de Saúde), que acha máscaras “coisa de viado” e que prefere receitar medicamentos sem efeito nesse caso, como a hidroxicloroquina ou mesmo ozônio enfiado no ânus, do que vacinas cientificamente comprovadas, resolveu se esquivar de qualquer responsabilidade.

Virou seu mote dizer que o STF tirou de suas mãos as ações na pandemia, que a conta das mortes e perdas financeiras vai cair no colo dos governadores, que não errou nenhuma vez neste período e que a mídia é a verdadeira culpada por tudo o que está acontecendo.

Surreal ou não, exército de apoiadores, não só robôs no Twitter, reproduzem esse discurso sádico e genocida, de que só velho ou obeso vai morrer, que precisamos salvar os CNPJs e que tudo isso não passa de um complô chinês para atacar frontalmente o mito bolsonaro.

É o tipo de coisa que precisa ser guardada na mente: todos aqueles que um dia já apoiaram Bolsonaro e saíram do barco (incluindo sem sombra de dúvidas Wilson Witzel, João Doria, Rodrigo Maia e Sergio Moro) e principalmente aqueles que ainda seguem apoiando (não limitando só a políticos, pois aqui entram os ditos “pais de família” e “cidadãos de bem”) merecem ter no colo a culpa coletiva por essa tragédia.

E na oportunidade da crise, é hora de passar a boiada, como bem disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que junto com o lunaticamente conspiratório Ernesto Araújo nas Relações Exteriores e o vende-tudo Paulo Guedes na Economia, inacreditavelmente, continuam no governo por um motivo ou por outro.

Nesta semana, foi entregue o projeto para privatização dos Correios. Até mesmo o Banco do Brasil está na “porra” dessa fila. O Saneamento Básico já foi terceirizado, caso da Companhia de Saneamento de Alagoas (que já foi a leilão), assim como o setor elétrico nacional.

O argumento para a privatização destas empresas é o batido: o setor público é ineficiente e corrupto. Corrupção essa que aconteceu em empresas particulares, como a Braskem. E, curiosamente, dita e repetira por agentes públicos.

Fora que, nem que como uma família que vende todos os seus bens para pagar dívidas em projetar como arrecadar dinheiro no futuro, o valor destas empresas será recompensador. O que aconteceu na Petrobras, por exemplo, é extremamente suspeito.

Em um final de semana, o presidente Jair Bolsonaro agitou o mercado e desvalorizou a Petrobrás em R$ 10o bilhões. Há quem diga que ele tenha feito isso para agradar caminhoneiros e derrubar uma greve da categoria com a redução do preço do combustível.

Mas só se ele foi idiota, agindo literalmente como um presidente venezuelano. Ou, ele não foi idiota, mas esperto: grupos aliados adorariam comprar a Petrobras, então quanto menor seu valor de mercado, melhor.

Há também a possibilidade de tudo ser uma “cortina de fumaça”, para evitar falar sobre a PEC que vai retirar a obrigação do mínimo do orçamento que é direcionado para Educação e Saúde (o que aconteceu apenas duas vezes desde Getúlio Vargas, exatamente durante a ditadura) ou todos os crimes envolvendo seus filhos e aliados.

Claro, ele também pode estar desviando assunto para não ter que lidar sobre a pandemia. Aproveitando isso tudo para vender o Brasil. Enquanto isso, 250 mil pessoas já morreram. E esse número só tende a subir, pois o pico atual de mortes por Covid-19 supera fase mais grave de 2020 em sete estados (RS, PR, RR, MG, MS, RO e AM).