24 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Mundo

Usar máscaras reduz drasticamente chances de desenvolver caso grave de covid-19

Mais que preservar a saúde de terceiros: usar o equipamento de proteção reduz a dose viral do próprio usuário

Adaptação do original no TheConversation, da Dra. Monica Gandhi.

Usar máscaras diminui a propagação do novo coronavírus, reduzindo a quantidade de pessoas infectadas que espalham o vírus no ambiente ao seu redor quando tossem ou falam.

Isso a partir de evidências de experimentos de laboratório, hospitais e países inteiros, e observado por Monica Gandhi, médica infectologista e professora na Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Em artigo no TheConversation, ela e seus colegas notaram que em lugares onde a maioria das pessoas usava máscaras, as foram infectados pareciam dramaticamente menos propensas a ficar gravemente doentes. Isso se comparadas com aquelas que usavam máscaras com menos frequência.

Sua conclusão: as pessoas ficam menos doentes se usarem uma máscara.

“Quando você usa uma máscara, mesmo uma máscara de pano, você normalmente está exposto a uma dose mais baixa do coronavírus do que se não o fizesse. Experimentos recentes em animais usando coronavírus e quase cem anos de pesquisas virais mostram que doses virais mais baixas geralmente significam doenças menos graves. Nenhuma máscara é perfeita e usá-la pode não impedir que você seja infectado. Mas pode ser a diferença entre um caso de Covid-19 que o leva ao hospital e um caso tão leve que você nem percebe que está infectado”. Monica Gandhi, médica infectologista.

Porque usar máscaras

O observação da Dra. Monica Gandhi soa um tanto “óbvia” demais, mas é importante lembrar: a recomendação e motivação para o uso de máscaras mudou durante a pandemia e invariavelmente colocou uma dúvida em parte da população. A até aqueles que se recusam a utilizá-la.

Ainda nos estágios iniciais de propagação mundial da covid-19, antes mesmo da definição do nome da doença, ainda não havia um consenso sobre o uso de máscaras:

  • Profissionais acreditavam não ser necessário o uso
    Ainda não havia sido comprovada a propagação pelas vias respiratórias;
  • Uso apenas entre doentes e profissionais da saúde
    Seja para evitar pânico ou esperar o mercado responder à demanda, máscaras foram prioridade em hospitais;
  • Uso geral de máscaras para conter propagação em terceiros
    Seja profissional de saúde, doente ou com suspeita, ou mesmo sem sintomas e fora do grupo de risco, usar a máscara se tornou um ato altruísta: você usa não para se proteger, mas para proteger o próximo;
  • Usar máscaras reduz a carga viral do usuário
    Desta vez, a recomendação é para proteção própria. Além de evitar a contaminação em terceiros, usar máscara é vital para resguardar a si mesmo.

Dose de exposição

Dra. Gandhi afirma que quando se inala um vírus respiratório, ele imediatamente começa a sequestrar todas as células que pousar nas proximidades para transformá-las em máquinas de produção de vírus.

E como o sistema imunológico tenta interromper esse processo para impedir a propagação do vírus, a quantidade de vírus a que você está exposto, a dose viral, tem muito a ver com o quão doente você fica.

Se a dose de exposição for muito alta, a resposta imunológica pode ficar sobrecarregada. Entre o vírus tomando conta de um grande número de células e os esforços drásticos do sistema imunológico para conter a infecção, muitos danos são causados ​​ao corpo e uma pessoa pode ficar muito doente.

Por outro lado, se a dose inicial do vírus for pequena, o sistema imunológico é capaz de conter o vírus com medidas menos drásticas. Se isso acontecer, a pessoa terá menos sintomas. Isso se houver.

Estas observações sobre dose virais são conhecidas há mais de um século. Em 2015, pesquisadores testaram esse conceito em voluntários humanos usando um vírus da gripe não letal e encontraram o mesmo resultado. Quanto mais alta a dose do vírus da gripe dada aos voluntários, mais doentes eles ficam.

Em julho, os pesquisadores publicaram um artigo mostrando que a dose viral estava relacionada à gravidade da doença em hamsters expostos ao coronavírus. Os hamsters que receberam uma dose viral mais alta ficaram mais doentes do que os hamsters que receberam uma dose mais baixa.

Com base neste conjunto de pesquisas, parece muito provável que, se você for exposto ao SARS-CoV-2, quanto mais baixa a dose, menos doente você ficará.

Perdigotos contidos

A maioria dos pesquisadores e epidemiologistas de doenças infecciosas acredita que o coronavírus se espalha principalmente por gotículas transportadas pelo ar e, em menor grau, por minúsculos aerossóis.

A pesquisa mostra que tanto o pano quanto as máscaras cirúrgicas podem bloquear a maioria das partículas que podem conter SARS-CoV-2 . O objetivo não é bloquear todos os vírus, mas simplesmente reduzir a quantidade que você pode inalar. Quase qualquer máscara bloqueará com sucesso alguma quantidade.

Experimentos de laboratório demonstraram que boas máscaras de pano e máscaras cirúrgicas podem bloquear pelo menos 80% das partículas virais de entrar no nariz e na boca. Essas partículas e outros contaminantes ficarão presos nas fibras da máscara.

O CDC (Centro de Controle de Doenças Contagiosas, nos EUA) estima que cerca de 40% das pessoas infectadas com SARS-CoV-2 são assintomáticos, e uma série de outros estudos têm confirmado esse número.

Ainda assim, em locais onde todos usam máscaras, a taxa de infecção assintomática parece ser muito maior. Em um surto em um navio de cruzeiro australiano chamado Greg Mortimer no final de março, os passageiros receberam máscaras cirúrgicas e a equipe recebeu máscaras N95 depois que o primeiro caso de Covid-19 foi identificado.

O uso da máscara foi aparentemente muito alto e, embora 128 dos 217 passageiros e funcionários tenham testado positivo para o coronavírus, 81% das pessoas infectadas permaneceram assintomáticas .

Outras evidências vieram de dois surtos mais recentes, o primeiro em uma fábrica de processamento de frutos do mar em Oregon e o segundo em uma fábrica de processamento de frango em Arkansas: quase 95% das pessoas infectadas eram assintomáticas.

É só usar

Infelizmente, em uma era de desinformação, não só o uso da máscara durante uma pandemia é tabu, mas até mesmo a gravidade do vírus é questionada. Negar usar máscara apenas para “proteger o outro” mostrou não só quem é egoísta e obtuso, mas literalmente criminoso.

Temos figuras de autoridade que não só rejeitam usar máscaras, influenciando seus seguidores, como vão além e tentam legislar contra a obrigatoriedade do equipamento.

Este artigo, com afirmações de uma médica infectologista americana, aqui com links de 15 artigos científicos, deveria ser o suficiente para o óbvio: usar máscara não é coisa de viado.

Além de ser um esforço para não se tornar vetor, ajudará a própria pessoa a ter sintomas mais leves. Com medidas mais simples que ozônio pelo reto ou um remédio que não funciona, poderíamos ter saído mais rápido disso.

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