28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Generais entram em ‘briga de foice’ para ser vice na chapa de Bolsonaro

O general Mourão, atual vice, foi totalmente isolado do governo e da disputa eleitoral

Braga, Ramos e Heleno: os generais querem o topo do poder
Uma briga quase “de foice” está sendo travada dentro do Palácio do Planalto entre os generais que servem ao governo Jair Bolsonaro. A razão é que todos eles querem a vaga de candidato a vice-presidente na chapa governista que vai disputar a reeleição. Hoje o vice é o general Hamilton Mourão, totalmente isolado no governo.
A informação é do jornalista Vicente Nunes, blogueiro do jornal Correio Braziliense.
Diz Nunes em seu blog:
-A decisão do presidente Jair Bolsonaro de deixar para os 48 minutos do segundo tempo o anúncio do nome do vice de sua chapa à reeleição abriu uma guerra entre os generais que ocupam cargos no governo.

De um lado está o general Heleno, responsável pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), apontado, entre os militares, como o melhor nome para concorrer ao lado de Bolsonaro a mais quatro anos de poder. De outro, os generais Braga Netto, ministro da Defesa, e Luiz Eduardo Ramos, secretário-geral da Presidência.
Aqueles que acompanham a disputa de perto dizem que Braga Netto e Ramos “estão sufocando” Bolsonaro para que ele anuncie logo o ministro da Defesa como vice. Isso, segundo essas mesmas fontes, ficou evidente na motociata que o presidente fez por Brasília no fim de semana. Os dois generais não largaram um minuto do chefe.
A aliança de Ramos com Braga Netto tem um objetivo: o hoje secretário da Presidência quer porque quer se tornar ministro da Defesa. Por uma razão simples: se Braga Netto for o escolhido para compor a chapa com Bolsonaro, o caminho para Ramos estará livre.
Além de convencer Bolsonaro a escolher Braga Netto como vice, o marqueteiro Ramos terá outra missão pesada: convencer o alto comando das Forças Armadas a lhe dar apoio. É evidente que Ramos não é bem-visto entre os comandantes das três Armas. Ninguém o respeita.

Braga Netto também não é o ministro dos sonhos do alto Comando das Forças Armadas. Não é carismático nem tem liderança, apesar de ser considerado uma boa pessoa. E o pouco prestígio que tinha ficou ainda menor depois que vestiu de vez o uniforme da política.
Heleno, por sua vez, é apontando como uma liderança nata entre os militares. E aqueles que o defendem como vice de Bolsonaro garantem que ele agrega votos, palavra mágica neste momento em que o presidente está com elevadíssimo grau de rejeição e muito distante do ex-presidente Lula em todas as pesquisas de intenções de votos.