26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Governadores querem reunião com presidente para tentar conter a crise

Sugestão acontece após Doria alertar para bolsonaristas nas PMs estaduais e convite será feito não só para Bolsonaro, mas para também Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e Luiz Fux

Governadores em reunião na sede do Governo do DF – Renato Alves/Agência Brasília

Os governadores brasileiros realizaram uma reunião hoje (23), em Brasília, e decidiram atuar conjuntamente para tentar harmonizar a relação entre os Poderes, pedindo inclusive uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro na próxima semana.

“O objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, de serenidade, onde possamos garantir a forma de valorização da democracia, mas principalmente criar um ambiente de confiança que permita atração de investimentos, geração de empregos e renda”. Wellington Dias (PT), governador do Piauí.

A reunião do Fórum dos Governadores já estava prevista, mas de última hora teve incluída na pauta a possibilidade de uma ruptura institucional. O assunto veio à tona nos últimos dias após a série de ataques do presidente Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Leia mais: Generais informam ex-presidentes que ruptura não viria do Exército, mas das PMs

Os pedidos de reuniões serão encaminhados a todos os chefes dos Poderes e não apenas a Bolsonaro. As cartas individuais solicitando os encontros e apresentando a agenda a ser discutida serão elaboradas nos próximos dias, para que seja possível realizar as reuniões já na próxima semana.

Serão encaminhados ofícios para o presidente da Câmara e do Senado, respectivamente Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e também para o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

PMs

Outro item de preocupação abordado durante a reunião foi a atuação de policiais militares durante a crise institucional no país. Os governadores então assumiram um compromisso público e formal de que as corporações não serão usadas politicamente.

Na reunião, João Doria (PSDB-SP) alertou seus colegas sobre o risco de infiltração bolsonarista nas polícias estaduais.​

“Creiam, isso pode acontecer no seu estado. Aqui nós temos a inteligência da Polícia Civil, que indica claramente o crescimento desse movimento autoritário para criar limitações e restrições, com empareda mento de governadores e prefeitos”. João Doria.

Doria comentava e defendia o afastamento do coronel Aleksandro Lacerda, comandante de sete batalhões de Polícia Militar do interior paulista, que no fim de semana fez postagens convocando amigos para o ato bolsonarista que foi marcado pelo presidente para o 7 de Setembro.

A indisciplina de polícias é um dos maiores temores de governadores, que já viram Bolsonaro dar apoio a amotinados na PM do Ceará e policiais atacarem sem ordem manifestantes contrários ao presidente em Recife.

Para integrantes da cúpula do Exército, é um temor real e que precisa ser acompanhado. Eles descartam, contudo, contaminação de suas próprias tropas e insistem em que não apoiarão intentonas golpistas de Bolsonaro.

O presidente já tem um roteiro traçado, inspirado pela tentativa frustrada de levante de seu ídolo Donald Trump quando perdeu a eleição para Joe Biden no ano passado, levando à invasão do Capitólio em 6 de janeiro. Por aqui, isso pode acontece em 7 de setembro.