25 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Economia

Maceió registra quatro meses seguidos de queda no endividamento das famílias

Com resultado inferior à média nacional, capital alagoana conta com 65% da população com alguma dívida

Após registrar um aumento de 20% de maio a setembro de 2021, a taxa de endividamento das famílias de Maceió confirma reversão de tendência e chega ao quarto mês seguido de queda em janeiro, com contração de aproximadamente 9% no período.

De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC), que é elaborada pelo Instituto Fecomércio Alagoas, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 65% das famílias da capital alagoana iniciam o ano de 2022 com alguma dívida.

A nível nacional, em janeiro, 76,1% dos brasileiros se encontravam em situação de endividamento, com inadimplência acima de 26%. Já em Maceió, a inadimplência se mantém estável desde julho de 2021, oscilando entre 18% e 19%.

Para o assessor econômico da Fecomércio AL, Victor Hortencio, a diminuição no endividamento do maceioense pode ser um reflexo do aumento sucessivo nas taxas de juros (SELIC), que, em fevereiro de 2021, estava em 2% a.a. e inicia 2022 ao patamar de dois dígitos (10,75% a.a.), o que, por consequência, acaba interferindo nos novos contratos de crédito.

Na comparação com os dados de janeiro de 2021, percebe-se que houve uma redução de 0,5% entre os endividados com contas em atraso. Enquanto que o número de famílias que não terão condições de quitar as suas dívidas registrou uma queda significativa de 46%.

Meios de endividamento

Segundo o levantamento, 58,2% dos maceioenses com alguma dívida possuem de três a seis meses de compras parceladas a quitar ou financiamentos, comprometendo 30,4% da renda. “Esse é o limite recomendado para o comprometimento de parcelas ou dívidas”, observa Hortencio.

O principal fator gerador de dívidas dos consumidores da capital alagoana continua sendo o cartão de crédito, que é utilizado por 94,3% das famílias para adquirir bens e serviços.

O carnê, que registrou, em doze meses, um crescimento de 70% em seu uso, aparece em segundo lugar, com 28,7%. “É um ponto curioso, pois se trata de uma modalidade antiga. Talvez o uso do carnê seja uma alternativa ao comprometimento do limite do cartão ou resultado da própria inadimplência”, ressalta o assessor econômico da Fecomércio AL.

Hortencio conclui que mesmo janeiro sendo um mês característico de aumento de consumo, dado a época de volta às aulas, em Maceió, o primeiro mês do ano registrou pontuações próximas das apresentadas nos últimos meses, com diminuição constante no número de endividados e melhora significativa no percentual de pessoas que podem pagar seus compromissos.