16 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Ministério da Saúde reduz pela metade previsão de vacinas e prejudica imunização nacional

Milhões de doses à espera são a reserva para a segunda dose

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a previsão para o mês de abril é distribuir 25,5 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. A quantidade é quase a metade do previsto anteriormente. ​

A declaração foi dada em audiência pública realizada pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (31).

No cronograma da pasta, atualizado em 19 de março, a previsão era de entregar 47,3 milhões de doses. Nele, constava que a Fiocruz entregaria 21,1 milhões de doses no período, mas a própria instituição disse que a nova previsão é de aproximadamente 18 milhões.

No entanto, o ministro ressaltou que está se empenhando para que as vacinas cheguem o mais rápido para a população, assim como os insumos para não atrapalhar a produção da Fiocruz e do Instituto Butantan.

Apesar dessa mudança, Queiroga falou novamente sobre a meta de vacinar 1 milhão de pessoas por dia em abril. Ele disse que foi criada a secretaria de enfrentamento à Covid-19 para agilizar as medidas.

Cronograma nacional

Cerca de 60% doses de vacinas contra a covid-19 distribuídas pelo Ministério da Saúde já foram aplicadas. E apesar de celebrado pelo presidente Jair Bolsonaro e ministros, como Damares Alves, dos Direitos Humanos, e Fábio Faria, das Comunicações, o índice na verdade aponta para a falta de doses.

Especialistas ressaltam que o Brasil tem tradição em aplicação rápida e em massa, e que o debate sobre aplicação das doses distribuídas mascara o problema principal, que é a falta de doses, responsabilidade do governo federal —que, constantemente, não tem cumprido o cronograma de entregas.

Até o dia 31 de março, das cerca de 35 milhões de doses enviadas aos estados, 31,6 milhões já haviam sido repassadas aos municípios, de acordo com dados do ministério. Das 27 unidades da federação, 14 estão abaixo da média nacional, de 63%.

Algumas doses da CoronaVac estão guardadas para completar o esquema vacinal do imunizante nos próximos dias. Os milhões à espera são a reserva para a segunda dose, que tem que estar lá porque o tempo é curto. Se estas forem usadas para uma primeira dose, existe o risco de, quando for a vez da 2ª dose de um cidadão, não haver vacina.