23 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
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O paradoxo conservador: eles avançam e a gente retrocede

Os conservadores, realmente, não têm limites quando o assunto é crueldade. E se for contra mulheres, eles salivam pelos cantos da boca.

Depois que as ovelhas com deficiência visual foram derrotadas no caso da menina de dez anos grávida após uma série de estupros iniciada aos seis anos de idade, e a gestação foi interrompida, o governo “cristão” quer prolongar o sofrimento de vítimas do mesmo tipo de abuso.

Não entendo como um deus que criou a humanidade a partir de uma escultura de barro e de uma vértebra, e que fez uso de inseminação artificial para se transformar em homem e vir à Terra para “nos salvar”, precisa permitir que uma criança seja estuprada desde o maternal até o 4° ano do ensino fundamental para gerar uma vida num mundo com sete bilhões de pessoas.

Mas, aí, é outra patologia, outro nível de sadismo de gente fanática, sem amor e sem empatia, que tenta dar legitimidade metafísica aos seus devaneios.

Voltemos ao assunto principal.

Acaba de sair do forno uma portaria do Ministério da Saúde que, segundo algumas parlamentares, como Jandira Feghali (PT), dificulta a realização do aborto legal e ainda gera constrangimento e violência psicológica à mulher.

Uma proposta que objetiva sustar essa portaria foi apresentada em conjunto por dez deputadas de quatro partidos (PCdoB, Psol, PT e PSB).

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, a portaria prevê que, na fase de exames, a equipe médica informe a vítima de violência sexual sobre a possibilidade de visualização do feto ou embrião por meio de ultrassonografia. Caso a gestante deseje ver o feto, ela deverá proferir expressamente sua concordância, de forma documentada.

É uma forma de submeter mulheres, que já estão fragilizadas devido ao abuso que sofreram, a uma pressão psicológica desumana. É mais uma forma de violência, desta vez, promovida como política de Estado.

Atropela, além da dignidade, o acesso aos direitos das mulheres que já têm garantida, por lei, a opção pelo aborto em caso de estupro.

Parece pesadelo. Está difícil esperar o país acordar dessa onda conservadora que nos meteu em um paradoxo brutal: quanto mais ela avança, mais a gente retrocede.

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