21 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Ainda com Bolsonaro, PSL usou verba pública até nos bonecos infláveis

Só os eventos realizados no dia de filiação do partido custaram ao partido cerca de R$ 4 milhões

O dinheiro público do fundo partidário destinado ao PSL foi usado para a confecção de 14 bonecões infláveis de Jair Bolsonaro e do presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE), ao custo de R$ 33 mil aos cofres públicos.

Eles foram confeccionados em tamanhos variados: oito de 1,8 metro, quatro de 3 metros e dois superbonecos, um de Bolsonaro e um de Bivar, com 5 metros de altura cada um. O gasto foi para animar solenidade em São Paulo relacionada à campanha nacional de filiação que o partido promoveu em 17 de agosto do ano passado.

Só os eventos realizados nesse dia, em várias cidades do país, custaram ao partido cerca de R$ 4 milhões.

O dinheiro veio exclusivamente do Fundo Partidário, que bancou bufês, brindes, camisetas, aluguel de hotéis, de ônibus, segurança, assessoria, aparelhagem de som e vídeo e a colocação da imagem de Bolsonaro, Bivar e de políticos da legenda em outdoors espalhados por todo o Brasil.

O PSL foi uma sigla nanica até 2018, quando recebeu em seus quadros o então candidato Jair Bolsonaro. Com a onda que elegeu o presidente, a legenda passou em 2019 a ter direito a uma cota de cerca de R$ 9 milhões mensais do Fundo Partidário, contra menos de R$ 700 mil que recebia até o ano anterior.

Jair Bolsonaro (PSL) não quer se associado com Bivar, presidente do próprio partido

Fundo Partidário

Bolsonaro acabou rompendo com Bivar e deixou o PSL em novembro, ou seja, cerca de três meses após a campanha nacional em que sua imagem foi o principal motivo para atrair novos filiados.

A briga de Jair Bolsonaro e seus filhos com parlamentares do PSL, aliás, sempre foi por dinheiro. São R$ 700 milhões de fundo partidário que o partido liderado pelo pernambucano Luciano Bivar vai administrar até o fim de 2020.

Portanto, nada além disso. Com dinheiro no meio os olhos brilham. E brilham tanto que Eduardo Bolsonaro, o filho 03, agora quer levar o dinheiro do fundo do PSL para o partido que o pai está criando. Segundo ele, seria “uma questão de justiça”.

Quando sancionou sem vetos a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020, Bolsonaro sancionou o orçamento com o fundo de R$ 2 bilhões para o financiamento de campanhas eleitorais. Contraditório, o presidente havia dito uma semana antes que o eleitor não votasse em parlamentar que usar recursos do chamado “fundão”.

Seu filho, o senador Flávio, chegou a dizer que voltou sem querer pelo fundo, confundindo o ‘sim’ pelo ‘não. Chegou a dizer que não o usaria, mas já é tarde: o dinheiro que tomará recursos da saúde e educação não pode ser devolvido e vai de qualquer forma para o partido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.