26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Empresa do esquema Covaxin usou alagoano de Pão de Açúcar como sócio laranja

FIB Bank, que tem R$ 7,5 bi, possui terrenos que não existem e diretor que depõe na CPI insiste ser de uma pequena empresa

O diretor-presidente do FIB Bank, Roberto Pereira Ramos Júnior, é ouvido pela CPI da Pandemia nesta quarta-feira (25). A sua empresa está envolvida nas negociações fraudulentas da vacina indiana Covaxin e teria dado garantia ao negócio fechado entre a Precisa Medicamentos e o governo do presidente Jair Bolsonaro.

A inconsistência das informações da FIB Bank reforça as suspeitas da CPI sobre um esquema de fraude e superfaturamento no contrato da vacina indiana. Em fevereiro, o Ministério da Saúde empenhou R$ 1,6 bilhão para compra do imunizante. Após o avanço da investigação, o governo cancelou a compra.

E foi revelado durante a sessão de hoje que o homem que aparece em documentos como dono do FIB Bank diz não ter qualquer ligação com a empresa. Geraldo Rodrigues Machado, natural de Alagoas, é morador de Pão de Açúcar e trabalha como vendedor externo.

Usado como laranja, Geraldo disse que não conseguiu financiar uma moto em 2015 e nem mesmo pôde sacar seguro desemprego, pois não consegue tirar o seu nome do quadro de sócios. Por conta do roubo e uso de seus documentos, ele segue na Justiça para recuperar seu nome. Geraldo, aliás, nunca foi até São Paulo.

O momento, de claro indício de corrupção, um caso de polícia, teve reação veemente dos senadores da oposição. “Tá vendo, Brasil”, perguntavam eles. Roberto Pereira Ramos Júnior, que está depondo, é também considerado um laranja pelos senadores. Especialmente por dizer desconhecer muitos negócios da empresa e dizer que tem salário de apenas R$ 4 mil.

A garantidora é investigada pela CPI em função de uma garantia de R$ 80,7 milhões em um contrato firmado entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

Na sessão de hoje, Roberto disse que se tratava de uma pequena empresa. Quando o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), questionou qual era o capital social da empresa, veio a surpresa: “R$ 7,5 bilhões”.

Três dos quatro terrenos que compõem o capital social declarado pelo FIB Bank não existem, informou o Ministério Público do Paraná (MP-PR). O capital social da empresa é composto por quatro grandes terrenos.

A FIB Bank faz parte de um grupo de empresas controladas indiretamente por Marcos Tolentino, “amigo pessoal” do líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PI).

“O problema é que os três terrenos são propriedade de outra empresa, a Sabe Agropecuária, que tem como único sócio, atualmente, o empresário Marino Becker, que entrou recentemente para o negócio; um dos sócios antigos da empresa, Maurílio Dombeck, faleceu em 2020”. MP-PR.

Bolsonaristas

Investigada pela CPI da Covid, o FIB Bank Garantias foi utilizada pelo pastor bolsonarista Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, para arrastar uma dívida de R$ 12 milhões cobrada na Justiça paulista.

A igreja mantém uma parceria com a Rede Brasil de Televisão para veiculação de conteúdo religioso  e o dono da emissora, o empresário Marcos Tolentino da Silva, é apontado em diversas ações judiciais como sócio oculto do FIB Bank.

Segundo a FIB Bank, como a carta foi rejeitada pela Justiça, o documento apresentado pela instituição religiosa foi cancelado. Em 2017, a Igreja Mundial do Poder de Deus assinou um instrumento particular de confissão de dívida reconhecendo um débito de R $12,2 milhões à empresa SM Comunicações.