23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Estratégia de vacinação contra a Covid-19 volta a ser tema de debate na ALE

Oposição criticou supostos casos de desrespeito ao Programa Nacional de Vacinação

Da tribuna da Casa, o deputado Davi Maia (DEM) voltou a acusar o Governo do Estado de interferir na vacinação contra a Covid-19, realizada pela Prefeitura de Maceió.

De acordo com o parlamentar, o regramento estabelecido pelo Programa Nacional de Vacinação (PNI) está sendo desrespeitado pelo Executivo alagoano.

“O Governo Federal é responsável pela compra das vacinas, o Governo estadual pela distribuição dos imunizantes aos municípios, e estes pela aplicação das doses na população”. Davi Maia.

“Pois bem, enquanto temos, hoje, Maceió como a primeira capital a concluir a vacinação de pessoas com comorbidades, nós vemos o Governo do Estado interferindo mais uma vez, erradamente, na vacinação”, criticou o oposicionista, acrescentando que a situação exposta só estaria acontecendo em Maceió.

Ao prosseguir com a fala, Davi Maia disse que a atitude do Governo tem como objetivo “aparecer nas redes sociais”.

“Podemos comparar a um grande crime à humanidade, o governador colocar as grávidas e as puérperas na mesma fila de quem vai tratar de Covid, no Hospital da Mulher”. Davi Maia.

Maia prosseguiu informando que, na semana passada, esteve no Senado Federal, onde se reuniu com integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia para entregar as denúncias de irregularidades na compra de respiradores.

“Levamos todas as provas que mostram que Alagoas utilizou recursos federais para a malfadada compra dos respiradores”. Davi Maia.

Em aparte, os deputados Cabo Bebeto (PTC), Silvio Camelo (PV), Ronaldo Medeiros (MDB) e a deputada Jó Pereira (MDB) também se pronunciaram sobre o assunto. O primeiro disse que recebe, diariamente, relatos de pessoas sobre a má prestação de serviço na área da saúde pública do Estado.

“Tenho aqui o caso de uma mãe que pede socorro para receber do Governo um medicamento para sobrevivência de sua filha de 13 anos, portadora de uma síndrome rara, a epilepsia miocrônica grave da infância, cuja medicação é importada da Alemanha e a família recebeu, pela última vez, em julho do ano passado”. Cabo Bebeto.

O deputado disse que, para conseguir o medicamento, a família precisa ingressar com processos judiciais.

O deputado Silvio Camelo, líder do Governo na Casa, disse que toda ação do Governo no combate à Covid e na área da Saúde é feita em conjunto com os municípios, e que a oposição insiste em querer denegrir um trabalho executado em parceria com todos.

“Inclusive, municiando uma CPI no Congresso Nacional com informações inverídicas”, defendeu Camelo, citando como base para sua fala a matéria publicada pelo jornal O Globo, onde se lê:

“compra frustrada de respiradores em Alagoas não pode ser investigada na CPI. Documentos enviados à Comissão revelam confirmação da Controladoria Geral da União e que Estado governado por Renan Filho não usou verbas federais em negociação via Consórcio do Nordeste”.

Na defesa do Governo do Estado, o deputado Ronaldo Medeiros disse que não há boicote no que diz respeito à vacinação contra a Covid-19 e que a fala do colega Davi Maia é contraditória.

“Que boicote é esse? Isso não existe. Isso só demostra o contrário. A verdade descaracteriza todo o discurso sobre o boicote a vacinação de Maceió”, contra-argumenta Medeiros, observando que, se Maceió é modelo nacional, como pode existir qualquer interferência, se o Estado é quem fornece a vacina?

Já a deputada Jó Pereira criticou o fato de a mulher estar sendo usada como objeto de disputa de poder. Ela lamentou o local de vacinação destinado a grávidas e puérperas, que estão sendo imunizadas contra o novo coronavírus no Hospital da Mulher.

“É lamentável! Estamos falando da mulher alagoana, não como centro da construção de políticas públicas efetivas e eficazes, mas da mulher como centro de uma disputa de poder na qual ela ainda não faz parte em pé de igualdade. Da mulher, mais uma vez, sendo instrumento, matéria, e não ser humano que merece ser centralizado na construção das políticas públicas”. Jó Pereira.