29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Redução de ICMS de combustíveis gera perda de R$ 13 bi para estados e municípios

Segundo a IFI, R$ 10 bilhões representam perdas dos estados e R$ 3,3 bilhões, dos municípios,

 

Estados vão perder muito dinheiro

Desejada pelo governo federal, uma redução de R$ 0,27 por litro no ICMS do óleo diesel custaria a estados e municípios R$ 13,3 bilhões, segundo estimativa da IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão do Senado que avalia a situação fiscal do país.

Para tentar reduzir as perdas, os secretários estaduais de Fazenda tentam antecipar o início da vigência das novas regras do ICMS, evitando o período de transição que determina a cobrança do ICMS sobre uma média de preços do diesel dos últimos cinco anos.

Ainda não há, porém, definição sobre a estratégia, que envolverá perda de arrecadação para estados que têm maiores alíquotas e aumento de preços naqueles com ICMS menor. O grupo volta a se reunir nesta quinta-feira (17) e espera ter uma alternativa até o fim do mês.

Da perda total estimada pela IFI, R$ 10 bilhões representam perdas dos estados e R$ 3,3 bilhões, dos municípios, que recebem parte do ICMS arrecadado, segundo relatório de acompanhamento fiscal divulgado nesta quarta-feira (16) pela instituição.

A redução da receita seria resultado da adoção de um sistema transitório previsto na lei que mudou a cobrança do ICMS, que determina o cálculo do imposto sobre a média de preço dos últimos cinco anos e não sobre o preço atual.

Segundo a lei aprovada no Congresso na semana passada, a média deve ser usada até que os estados definam uma alíquota única, em reais por litro, para a cobrança do ICMS sobre o diesel, com prazo máximo até 2023.

Os governos estaduais tentam acelerar as negociações sobre a unificação da alíquota para reduzir a perda, mas o consenso nesse caso é dificultado pelos impactos tanto sobre o preço dos produtos nos estados que têm menores alíquotas quanto na arrecadação daqueles que cobram mais.

O Distrito Federal mais Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins têm alíquotas abaixo de 15%. Nos outros casos, vão até 18%.

Ainda não é possível, porém, saber quais ganharão e quais perderão, pois ainda não foi definida a alíquota comum que será cobrada sob as novas regras aprovadas pelo Congresso. Um acordo tem que ser feito até o fim do mês, já que a lei prevê o início do período de transição no dia 1º de abril.  (Texto de Nicola Pamplona -RJ)