4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Em live, Bolsonaro chama Europa de ‘seita ambiental’ e culpa indígenas e caboclos por desmatamento

Na mesma live, presidente disse que “não há comprovação científica de que não há comprovação científica contra a cloroquina”

Em sua live semanal das quinta-feiras (16), o presidente Jair Bolsonaro, entre outros assuntos, falou da Amazônia. E atirou para todos os lados para jogar a culpa das das queimadas e áreas desmatadas.

Claro, não atirou contra si mesmo nem seu governo. Na mesma transmissão, ele defendeu a permanência de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. A culpa, claro, é de outros. Sobrou até para os índios.

Segundo o presidente, “parte considerável” da destruição na Amazônia Legal é culpa de “indígenas e caboclos”. Ele acredita que estes não poderão mais comer se abandonarem completamente estas práticas.

“Uma parte considerável das pessoas que desmatam e tocam fogo é indígena, caboclo. No nosso decreto, se proibir esses caras de tacar fogo, se chegar o decreto lá, se ele não fizer a agricultura tradicional ali, não vai ter o que comer. Ele vai viver da caça”? Jair Bolsonaro, presidente.

Conforme a edição do DOU (Diário Oficial da União) do mesmo dia, o governo decretou a suspensão, por 120 dias, da permissão de uso do fogo em práticas agropastoris e florestais na Amazônia Legal e no Pantanal.

“Estamos assinando o decreto não permitindo a queimada no Brasil todo por quatro meses. Sei que estão fora dessa proibição o índio e o caboclo, esse pequeno homem que está lá no ‘interiorzão’ do ‘Brasilzão’ enorme. Ele vai ter acesso ao decreto? Como vai cultivar alguma coisa? O que falta para nós é responsabilidade para tratar esse assunto”. Bolsonaro.

Seita europeia

O presidente foi além e reclamou das “acusações injustas” de que maus tratos ao meio ambiente teriam sido permitidos por seu governo. Ainda que tenha admitido que medidas precisam ser tomadas, ele jura que a situação de desmatamento e crimes ambientais não seria tão traumática.

Na verdade, nada disso aconteceria não fosse uma “seita ambiental” europeia com interesses em estimular uma suposta “briga comercial” para prejudicar o agronegócio brasileiro. Claro, isso é o que acredita o presidente:

“O Brasil é uma potência no agronegócio. A Europa é uma seita ambiental, não preservaram nada e atiram em cima de nós o tempo todo de forma injusta, é uma briga comercial. Há interesse em todo o Brasil, somos bombardeados 24 horas por dia. Parte da mídia aproveita o momento para criticar o governo, como se anteriores estivesse uma maravilha a questão ambiental no Brasil”. Bolsonaro.

O presidente lamentou ainda que a medida provisória (MP) 910, que tratava da regularização fundiária e ficou conhecida como “MP da grilagem”, não tenha sido votada no Congresso, o que fez com que ela caducasse.

Para Bolsonaro, a votação da MP não foi pautada porque “a esquerda ainda tem uma influência muito grande dentro do Parlamento”, e citou partidos como PT, PDT, Rede Sustentabilidade, PCdoB e PSOL como responsáveis pela pressão que levou à caducidade da proposta.

Cloroquina

Na mesma live, um dia após dizer que não fazia propaganda da hidroxicloroquina, o presidente voltou a defender o medicamento. Desta vez, balbuciou algo como “não há comprovação científica de que não há comprovação científica contra a cloroquina”. Há quem entenda ou finge entender o que o presidente comunica.