20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Justiça

Militares são condenados pelo fuzilamento de músico e catador em 2019

À época, Bolsonaro disse que ‘Exército não matou ninguém’ por ser ‘do povo’ e que ‘não pode acusar o povo de assassino’

O Tribunal de Justiça Militar condenou oito militares do Exército responsáveis pela morte do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo em abril de 2019.

Depois de mais de 15 horas de julgamento, na madrugada desta quinta-feira (14), a juíza Mariana Aquino absolveu outros quatro oficiais que não dispararam suas armas no dia do crime.

A condenação foi de 31 anos e seis meses em regime fechado para o Tenente Nunes e todos os outros sete foram condenados a 28 anos de reclusão e regime fechado.

Os 8 condenados serão expulsos da corporação por culpabilidade comprovada. Os outros quatro que não deram disparos no dia do crime foram absolvidos. Todos os 12 foram absolvidos por omissão de socorro.

Dos cinco integrantes do Conselho, formado por uma juíza federal e quatro juízes militares sorteados, a juíza e mais dois militares votaram pela condenação, uma outra integrante votou pela condenação culposa e outro pela absolvição dos militares.

Fuzilamento

O catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, e o músico Evaldo Rosa foram baleados na ação do Exército em 7 de abril de 2019, em Guadalupe, na zona norte do Rio. Somente o carro do músico fora atingido por 82 disparos realizados por militares do Exército.

Macedo foi ferido ao tentar ajudar Evaldo e a família dele que estava a caminho de um chá de bebê quando tiveram o carro fuzilado. O sogro de Evaldo também foi ferido. A mulher do músico, a filha do casal de 7 anos e uma outra mulher não se feriram.

Macedo passou 11 dias internados no hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio, antes de falecer.

Foram seis dias para o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se pronunciar sobre imperdoável fuzilamento do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, por militares do Exército no Rio de Janeiro. Mas era melhor ter ficado calado, já que, segundo o presidente, o que aconteceu não foi um assassinato, mas sim um “incidente”.

“O Exército não matou ninguém, não. O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”. Jair Bolsonaro, presidente do Brasil.

A declaração do presidente foi durante inauguração do aeroporto de Macapá. Bolsonaro classificou o assassinato de Rosa como um “incidente”, declarou que o Exército “não matou ninguém” e que a instituição não pode ser acusada de ser “assassina”.

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