27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Onyx perde força na Casa Civil e é mais um ministro fritado no Governo

Resta saber se Bolsonaro o retira ou se Lorenzoni segue tendo poderes retirados até pedir pra sair

Antes articulador dos principais projetos do Governo Bolsonaro no Congresso, o ministro da Casal Civil Onyx Lorenzoni vai ficando de escanteio e vendo sua relevância cada vez mais enfraquecida.

Lorenzoni disse a aliados nesta quinta (30) ter ficado surpreso com a decisão de Jair Bolsonaro de retirar a gestão do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) da alçada de sua pasta. Com isso, Paulo Guedes (Economia) passará a ter controle sobre o programa de incentivo a concessões e privatizações, esvaziando ainda mais os poderes de Onyx.

Ainda de férias, ele afirmou que precisava conversar com o presidente para compreender o objetivo de sua fritura e enfraquecimento. Integrantes da cúpula do DEM viram no gesto um golpe desleal e já defendem que o correligionário peça para sair.

O ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , e o ministro da Economia, Paulo Guedes, agora à frente do PPI

Demissão do Nº 2

A retirada do PPI aconteceu ao mesmo tempo da segunda exoneração de José Vicente Santini, assessor especial de relacionamento externo da Casa Civil, e também do do secretário-executivo interino, Fernando Wandscheer, responsável pela readmissão de Santini.

Assessor do ministro da Casa Civil Ônyx Lorenzoni, Santini assumia a pasta de forma interina durante as férias de Lorenzoni, mas foi afastado por Bolsonaro após este usar o avião da FAB em duas oportunidades, no que o presidente disse ser ‘uma atitude inadmissível’.

Amigo dos filhos do presidente, os garotos de Bolsonaro defendiam que a demissão seria uma punição muito dura. Este também era amigo e indicado do Ônyx, mas como na nova vaga Santini receberia quase R$ 17 mil, ou R$ 300 a menos que antes, a exoneração se tornou definitiva.

Desde o início

No início do governo, Onyx concentraria os poderes de articulador político, revisor dos atos presidenciais e coordenador da Esplanada. Ele estimou que articularia uma tropa de cerca de 350 deputados, 42 acima dos 308 necessários para aprovar emendas constitucionais.

Entretanto, a coordenação política foi para um general: primeiro, Santos Cruz. Agora, Luiz Eduardo Ramos. Após ser privado da atribuição de revisar projetos, medidas provisórias e decretos, viu seu ex-subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, o advogado Jorge Oliveira foi promovido a ministro.

Agora sem a coordenação do PPI, que foi entregue para Paulo Guedes, além da perde de dois de seus indicados, resta saber se Bolsonaro o retira ou se Onyx segue assim até pedir pra sair e volta a ser deputado federal.

De qualquer forma, ele seria mais um aliado fritado publicamente no governo. Só entre os ministros, Bolsonaro contabiliza ao menos três queimas públicas: Bebianno (Secretário Geral), Vélez Rodríguez (Educação) e Santos Cruz (Secretaria de Governo).