22 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
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Que a janela de setembro nos traga flores e sol de primavera

Cansados, aguardamos o tempo mudar, trazendo bons ventos e renovando a esperança no que falta sonhar

Mais um dia 1º no ciclo cruel de 2020. Nao tem sido fácil! Estamos estafados, sobrecarregados de um nada pouco produtivo. Sensação que tenho? Que nunca trabalhei tanto na vida, mesmo em casa, sem aquela rotina de horário pra chegar e sair do trabalho, sem o tempo perdido no trânsito. Mesmo assim, o tempo parece nos devorar, dia após dia; hora após hora. Quando vejo, estou há 10, 12 horas numa alternância de atribuições domésticas e profissionais que não acabam mais. E quanto mais disciplina eu tento me impor, mais ultrapasso a marca do bom senso laboral.

Costumo levantar às 6h (geralmente acordo bem antes disso). Caminhada na praia (estou retomando cuidadosamente), arrumações do pré e do pós café da manhã e aquele banho de quem vai “sair” pro trabalho. Às 9h estou pronta pra começar e a partir daí, sabe Deus quando vou parar. Infelizmente, em tempos de home office, o meu “escritório” fica a seis passos da cozinha onde preparo o almoço, e a minha mesa de trabalho é a mesma das refeições. Eis porque na maioria das vezes me pego almoçando e verificando e-mails, mensagens de zap, conferindo tarefas a fazer. Não pense que é exagero se eu disser que nesse ritmo, às vezes a janta é empurrada para 8, 9 horas da noite.

Dispersão é meu novo sobrenome. Falta de foco em tudo! Estava achando que havia algo errado comigo, e há! Marquei psiquiatra – vaga para outubro. Até lá, vou dividindo essa angústia com as amigas, nas conversas virtuais, e descobrindo que cerca de 80% das pessoas com quem converso (sobretudo as mulheres) repetem a mesma queixa: “não tenho mais tempo pra nada”. E o ‘nada’, nesse contexto, é não se dar o  tempo de se cuidar, descansar, ler um bom livro, assistir a um bom filme…

O tempo encolheu; melhor dizendo, esticamos nossa jornada de trabalho com esse cotidiano dúbio de exercício profissional e atividades domésticas. Qual é a diferença do que era antes?  Estamos em casa 24h por dia, e não tem como ignorar os ‘afazeres’. Preparamos nossas refeições, comemos em casa, sujamos (e lavamos) mais pratos, panelas; sujamos e limpamos mais vezes o banheiro, a casa; e ainda inventamos de aprender e fazer coisas que antes não fazíamos. Descobri que consigo cozinhar (com bom gosto); que dá pra semear e cuidar de plantinhas dentro de casa; e de vez em quando arriscar no teclado a tentativa daquele velho sonho de aprender a tocar um instrumento.

(Foco, Fátima Almeida! Isso é uma postagem para o blog e não um diário do cotidiano pandêmico).

Ah, essa pandemia!

Se respiramos ofegantes, logo suspeitamos do nosso pulmão; se uma alergia solta um espirro forte, nossos sentidos acendem o alerta para essa tragédia que assola o país com mais de 120 mil brasileiros mortos. Nossa carência de meses de isolamento por causa do vírus recusa, por medo, o abraço, o afago que nos confortaria a alma nesses tempos sombrios. Calma! Ainda não é tempo de abrir a guarda! Todos os dias uma notícia de alguém conhecido que se foi. Todos os dias esse desgaste de ver pessoas se expondo, nem aí para o bem comum; cada vez mais gente nas ruas. E vai piorar: candidatos desmascarados (literalmente) já estão no corpo a corpo da eleição. Sim, teremos eleições em novembro. O pleito foi adiado por causa da pandemia, mas até lá haverá campanha, encontros, reuniões em todos os cantinhos desse nosso Brasilzão.

Sentimos a corda afrouxar. Nosso corpo é arisco (o meu é); quer fluir, dividir sorrisos, conviver, cair no samba, bebemorar – num brinde à vida. A chave da liberdade está comigo; cabe a mim a decisão: sair ou ficar. A consciência é hiperativa – e imperativa: Eu FICO!

Torcendo para que o final desse ano chato chegue logo ali… Que setembro nos traga cheiro de sonhos, amores, afetos, perdões e bons ventos, espalhando e germinando as Flores Amarelas (do jardim musical de #LoreB) e reluzindo um novo Sol de Primavera na velha canção de  Beto Guedes:

Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou.

Juntos outra vez – já sonhamos juntos, semeando as canções no vento…

Quero ver crescer nossa voz, no que falta sonhar.

Já choramos muito… Muitos se perderam no caminho! Mesmo assim, não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer Sol de Primavera

Abre as janelas do meu peito. A lição sabemos de cor – SÓ NOS RESTA APRENDER.

3 Comments

  • Avatar MARIA DAS GRACAS CORREIA DE ALMEIDA

    Maravilha de texto menina peralta e inquieta chamada Fátima. Tive vontade de espalhar suas flores amarelas na roda de amigos.

  • Avatar MARIA G C GONCALVES

    Que texto lindo! E resumiu esse sentimento coletivo de desespero contido, sem faltar uma pitada de esperança. Amei!

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