26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

O passado muçulmano e poligâmico de Olavo de Carvalho

Astrólogo que não completou o ensino fundamental, é guru ideológico e tem influência no presidente

Heloísa de Carvalho Martin Arribas, de 47 anos, escreveu uma “Carta aberta a um pai”, neste caso, o ideólogo de direita Olavo de Carvalho, guru do governo de Jair Bolsonaro.

O astrólogo boca suja e que ajudou a colocar no MEC um ministro incompetente, não colocou a primeira filha na escola e teria colocado a família para morar nos fundos da Escola Júpiter, onde dava cursos de astrologia, para se relacionar com a nova esposa na casa da frente.

Carvalho, infelizmente tem forte influência no governo. Na viagem de Bolsonaro aos EUA, sentou-se ao lado do presidente e aproveitou para dizer que o general Hamilton Mourão é um traidor, que os jornalistas brasileiros são drogados e que o atual presidente tem ideias incoerentes e não duraria seis meses se continuasse assim.

E assim como com a deputada bolsonaristas, Ana Campagnolo, que tinha desejos de ganhar dinheiro sem trabalhar e adora maconha, ou Douglas Garcia, deputado gay do PSL, que saiu do armário após ameaças de ex-parceiros por seus discursos homofóbicos, Carvalho é mais um nome da direita que fala uma coisa e age de forma completamente diferente.

Ao menos foi o que falou sua filha, em entrevista à revista Época. Veja trechos aqui:

Você tinha um relacionamento ruim com seu pai?

Eu sempre tive contato com o meu pai. Todas as férias, quando dava, ia passar uns dias na casa dele no Rio ou em Curitiba. Mesmo depois de 2005, quando ele foi para os Estados Unidos, falávamos por e-mail, telefone, WhatsApp. Essa distância que meu pai diz que existe entre nós nunca existiu. Sempre tivemos contato. É apenas uma maneira de ele dizer “não sei da vida dela”, “é uma filha que coloquei no mundo e perdi”. Uma forma para justificar a falta de responsabilidade como pai, como não ter mandado os filhos para a escola. Não é nada disso que ele fala. Fico pasma de os meus irmãos dizerem que quem mente sou eu.

Vocês tiveram uma criação religiosa?

Teve épocas em que rezávamos antes das refeições, mas minha mãe rezava porque era obrigada. Isso não durou nem um ano e não íamos mais à missa. Quando eu fui morar com meu pai e a Silvana, a segunda esposa dele, frequentávamos uma igreja na Mooca de vez em quando, mas também não durou. Acordar cedo nunca fez parte da vida do meu pai. Às vezes, chegávamos atrasados na missa por ele perder a hora. Hoje ele se diz católico desde criancinha, mas foi muçulmano e levou todos os quatro filhos, minha mãe a as esposas dele na época para o islamismo. Chegou a ter três esposas muçulmanas ao mesmo tempo. Não batizou nenhum dos quatro filhos do primeiro casamento. Dos outros casamentos não sei, mas nunca ouvi falar em madrinha ou batismo. Ele me casou no islamismo. Eu optei por ser católica e, em 2015, depois de adulta, fui batizada.

Você falou recentemente que viveu numa comunidade islâmica com seus pais. Como foi isso?

Foi em 1985, quando meus irmãos foram morar com ele numa casa no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Eu tinha 16 anos e morava com uma tia aqui em Atibaia. Tinha começado a estudar. Fazia jazz, jogava vôlei. Minha mãe veio e disse que estavam ela, meu pai e meus irmãos morando todos juntos — só faltava eu. Qual o filho de pais separados que não quer ver todo mundo junto? Até briguei com minha tia para ir. Mas, quando cheguei lá, não era uma casa normal. Era uma casa onde viviam umas 30 pessoas. Pelo menos doze, fora a minha família, moravam lá. Ele estava numa seita islâmica e todo mundo se converteu. Era uma comunidade, com rezação o dia todo, um monte de regra preconceituosa.

Que tipo de regra?

Tinha de sair na rua de véu, com saia comprida até o tornozelo e mangas compridas. Era proibido falar qualquer tipo de palavrão. Também era proibido ter contato com homossexuais ou prostitutas. Todas as sextas-feiras íamos a uma mesquita na Avenida do Estado [importante via da capital paulista]. Ele dizia que muçulmano não namora, só casa. Me apaixonei por um aluno dele. Eu tinha 16 anos e o rapaz, que é o pai do meu filho, tinha 18. Casamos e ficamos juntos durante seis anos. Vivemos na comunidade por uns dois anos. Depois meu pai brigou com todo mundo e a seita acabou, desmantelou. Primeiro fui morar com a minha avó materna. Depois minha tia nos chamou para morar aqui em Atibaia. Eu voltei a estudar e ele também. Nos separamos, mas mantemos a amizade. Ele tem urticária só de ouvir falar em Olavo de Carvalho.

Sua divergência com o seu pai começou quando?

Foi depois do filme “O Jardim das Aflições” [que retrata as ideias e o cotidiano de Carvalho e que foi lançado em 2017]. Comecei a ver uma briga pela internet entre os diretores do filme. O diretor de fotografia [Daniel Aragão] começou a falar coisas no Facebook e entrei em contato com ele para saber o que tinha acontecido. Ele estava sendo sacaneado. A questão não era dinheiro, era o reconhecimento do trabalho. Falavam do filme, mas omitiam o nome dele. Eu falei que ia interceder por ele e liguei para o meu pai. Meu pai disse para eu não me meter, que era melhor eu me calar. Perguntei por que era melhor eu me calar e ele falou: “Era o que me faltava, uma puta vagabunda se envolver com um maconheiro vigarista para me foder”. Bateu o telefone na minha cara, me bloqueou no Facebook e no WhatsApp. Aí resolvi começar a falar o que sei sobre o lado que o Olavo esconde. Esse lado agressivo, maldoso, violento com as pessoas. É um lado que somente quem convive com ele já viu ou sabe.

Bolsonaro e Olavismo

Filósofo de baixa categoria no YouTube (sem pleonasmo, pois uma coisa não anula a outra), Olavo de Carvalho, um dos gurus de Bolsonaro, tornou-se notório em 2005 ao agradar aqueles que, hoje, são seguidores de Bolsonaro. Suas “aulas” iam de filosofia a esoterismo, literatura, história até religião comparada.

Ele mora nos Estados Unidos e não coloca os pés no Brasil, já emplacou duas indicações de Jair Bolsonaro: Ernesto Araújo nas Relações Exteriores e o colombiano Ricardo Vélez, então na Educação. Um considera o PT de “Partido Terrorista” e acha que a esquerda quer impedir o nascimento de Jesus. O outro acha que a ditadura deve ser comemorada e é contra uma suposta “doutrinação cientificista” – e já caiu.

Beato, ele já disse que a Pepsi é adoçada por células de fetos humanos e que o petróleo não é um combustível fóssil. Já acusou o governo dos Estados Unidos e a família real inglesa de trabalhar em prol da islamização mundial. E o mais assustador de tudo é que Bolsonaro o considera uma boa fonte de informações, livre de fake news:

Formador de opinião, que de forma trágica ajudou a colocar Bolsonaro na presidência e ideologia de “nova era”, Carvalho tem ideias e teorias perigosas, que colocam em risco, sem exagero, a inteligência nacional.

“No fim do século passado, uma dupla de cientistas, Mitchelson e Morley, disse o seguinte: se de fato a Terra se move ao redor do Sol, então deve haver diferenças na velocidade da luz em vários pontos da Terra conforme as várias estações do ano. E eles mediram isso milhares e milhares de vezes e viram que não mudava nada. Então, das duas, uma. Ou a Terra não se move ou é preciso modificar a física inteira”. Filósofo Olavo de Carvalho.

Este homem é de maneira séria ouvida pelo presidente e pelo ministro. E isso é deprimente.

Cotado para Educação

Olavo de Carvalho chegou a dizer que o único posto que aceitaria no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), seria o de embaixador brasileiro em Washington, para “fazer dinheiro” para o Brasil.

Segundo Carvalho, antes de Bolsonaro ser eleito, o candidato do PSL tinha oferecido a ele os ministérios da Educação e da Cultura. Mas o escritor decidiu não aceitar por não conhecer o funcionamento, a estrutura e os funcionários das pastas.

“Eu conheço meus limites, não tenho uma grande capacidade administrativa de nada. Eu sei o que tem que fazer, mas não consigo ficar pensando nisso todo dia.” Olavo de Carvalho.

No entanto, acrescentou, se fosse convidado para assumir a Embaixada do Brasil em Washington, aceitaria, porque é uma responsabilidade que saberia cumprir e que “oferece a oportunidade de fazer algo real pelo Brasil sem ter que passar pelo filtro de resistência petista.”

“O que o Brasil mais precisaria é de dinheiro. E, como embaixador nos EUA, eu saberia fazer dinheiro. Eu peguei alguma prática desse negócio de comércio internacional no tempo em que morei na Romênia. Como embaixador, teria autoridade total sobre os brasileiros locais e poderia mandar embora qualquer um, pode mandar prender qualquer um. É um reizinho”. Olavo de Carvalho.

Incesto

Durante a campanha, Carvalho acusou Haddad (PT) de incentivar incesto e pedofilia. E com mensagem compartilhada em massa por um dos filhos de Bolsonaro. “O sr. Haddad não é um excêntrico ou um imoralista. É, como o seu mestre Horkheimer e os demais frankfurtianos, um monstro de frieza e premeditação”. Este é o governo, senhores.