18 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Italianos pedem na Justiça que Cidadania Honorária a Bolsonaro seja revogada

Ação diz que identidade e imagem da prefeitura foram lesados após terem sido associadas a expressão de valores conflitantes

Há três meses, Jair Bolsonaro chegava ao encontro do G20 na Itália como uma pária. Único presidente declaradamente não vacinado, o brasileiro encontrou refúgio na cidade de Anguillara Veneta, cidade italiana onde seu bisavô nasceu.

A cidade é o berço da família do presidente. Vittorio Bolzonaro saiu da região com sua família para o Brasil, por volta de 1878. A mudança da ortografia no nome ocorreu por conta de um erro no cartório.

Na ocasião, ele recebeu o titulo de cidadão honorário da cidade, oferecido pela prefeita Alessandra Buoso, ligada ao partido de ultradireita Liga Norte.

Leia mais: Protestantes jogam esterco em prefeitura de cidade italiana que homenageará Bolsonaro

Hoje, cidadãos mais sensatos e o Partido Europa Verde recorrem à Justiça com a apresentação de uma ação popular em que pedem que a honraria seja anulada.

O documento de 23 páginas, ao qual a reportagem teve acesso com exclusividade, denuncia a prefeita Alessandra Buoso e oito vereadores que compõem o quadro de seu governo.

A ação pede que a resolução n. 27, com a qual foi concedida a cidadania honorária a Bolsonaro, seja considerada “ilegítima ou nula, pois a identidade e imagem da prefeitura foram lesados após terem sido associadas a expressão de valores conflitantes com os valores históricos, tradicionais e culturais do município de Anguillara Veneta”.

Protesto atinge com esterco e tinta sede da prefeitura da cidade de Anguillara Veneta, na Itália – Rise Up 4 Climate Justice

Direitos Humanos

Desde 1993, o pequeno município tem o título de “cidade da paz e dos direitos humanos”. Não por acaso, religiosos, a ala moderada dos políticos locais, sindicatos e outros grupos tentaram impedir que o projeto de receber Bolsonaro fosse adiante.

Antes de receber Bolsonaro, uma reunião de emergência entre os vereadores do local foi realizada. Mas a proposta foi aprovada, enquanto um pequeno protesto foi organizado no local, com bandeiras do Brasil e um cartaz com a palavra: “vergonha”.

Causou ainda indignação o fato de a prefeita, Alessandra Buoso, ter pedido a liberação de 9.000 euros (R$ R$ 58 mil) para receber “uma delegação estrangeira”. Para uma cidade de apenas 4.000 habitantes e que atravessa uma crise econômica, o valor gerou revolta de uma parcela da população.