13 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Por evangélicos, Bolsonaro escolhe Ricardo Velez Rodriguez para o MEC

Favorito dos evangélicos, filósofo colombiano é favorável ao ensino militar e Escola sem Partido

Após idas e vindas, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou na noite desta quinta-feira (22) que o futuro ministro da Educação será o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, filósofo e professor emérito da Escola de Comando e estado-maior do Exército.

Em seu perfil no Facebook, onde se refere a petistas como “mortadelas”, Vélez Rodríguez já afirmou que é necessário na educação “que se limpe todo o entulho marxista que tomou conta das propostas educacionais de não poucos funcionários alojados no Ministério da Educação. Isso para início de conversa”.

O escolhido para comandar a Educação demostra concordar com a proposta de Jair Bolsonaro de criar mais colégios militares e exaltá-los pela disciplina imposta aos alunos.

“Os Institutos Militares são excelentes lugares de ensino. Concordo. Mas não é, exatamente, questão de dinheiro. Eles são excelentes porque há patriotismo e porque neles se faz o que de muito tempo não se faz em não poucas instituições públicas de ensino: há estudo, disciplina, valorização dos docentes e amor pelo Brasil”, escreveu.

Recuo

A nomeação aconteceu após vazar o nome de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, como o mais cotado para o cargo. Mas a bancada religiosa não gostou. Pesava contra Ramos o fato dele, em nenhum momento, ter dado declarações a favor do projeto da Escola sem Partido ou contra discussões sobre gênero em sala de aula.

Temas em debate no Congresso Nacional contra o que seria uma doutrinação partidária por professores, serviram para alavancar o nome de Bolsonaro no cenário nacional bem antes de sua pré-candidatura presidencial.

Com apoio dos evangélicos, o presidente eleito foi um dos líderes de movimento contra a discussão de gênero nas escolas. No governo Dilma Rousseff, ele denunciou a entrega para alunos do que, segundo ele, seria um kit em que se ensina a ser homossexual e de um livro sobre sexo para crianças.

Após a veiculação do nome de Mozart, este não fizeram questão de esconder que “o novo governo pode errar em qualquer ministério, menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós”. Ideologia, claro.

O colombiano Ricardo Vélez Rodriguez foi chamado às pressas de Juiz de Fora (MG) para conversar com Bolsonaro e fazê-lo desistir do nome. Rodriguez é formado em filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana e em teologia pelo Seminário Conciliar de Bogotá e o preferido dos evangélicos.

Esta pode ser uma importante vitória para evangélicos e defensores do Escola sem Partido, que entrará em votação na Câmara na próxima semana.