21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Presidente do TSE, Barroso diz que voto impresso é “bem pior”, mas será cumprido se Congresso aprovar

Não há nenhuma fraude documentada na urna eletrônica desde sua adoção, em 1996; Dois anos antes, votos falsificados foram noticiados a favor de Jair Bolsonaro

Comissão Geral para tratar da Reforma Eleitoral. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Luís Roberto Barroso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse hoje (9) que a implementação do voto impresso reduzirá a segurança das eleições, trazendo de volta fraudes e falhas humanas, problemas que teriam ficado no passado com a adoção da urna eletrônica.

Leia mais: Em 1994, Jornal do Brasil noticiava votos falsificados em favor de Jair Bolsonaro

O ministro compareceu na Câmara dos Deputados para participar de uma comissão geral sobre assuntos eleitorais e disse que se o Congresso aprovar, e o Supremo Tribunal Federal (STF) validar, o TSE implementará o voto impresso, apesar das ressalvas.

“A vida vai ficar bem pior, vai ficar parecido com o que era antes. Eu torço para que ela aprovação não venha, mas se vier nós cumpriremos”. Luís Roberto Barroso, ministro do STF e presidente do TSE.

O ministro iniciou sua fala ressaltando não haver sido documentada nenhuma fraude na urna eletrônica desde sua adoção, em 1996. Ele voltou a defender a segurança do equipamento e lembrou de problemas que existiam antes do sistema informatizado de votação – como a compra de votos, o coronelismo e o clientelismo. O ministro avaliou que tais situações podem retornar com a adoção do voto impresso.

“A verificação manual não é verificação, é um perigo, é um risco que nós vamos criar. Eu acho que o voto impresso vai nos trazer um problema do qual já nos livramos, que é o transporte, a guarda e a contagem manual dos votos”, o que seria “um retrocesso”, ressaltou o ministro.

Para Barroso, além de abrir margem para fraudes, um dos principais problemas do voto impresso é a possibilidade de violação do sigilo do voto, uma vez que por meio do recibo da votação seria possível saber a composição dos votos individuais – em quem a pessoa votou para diferentes cargos – o que abriria caminho para identificar o eleitor.

O ministro apontou ainda o que seriam dificuldades administrativas e orçamentárias para a adoção do voto impresso, que segundo a estimativa do TSE custaria R$ 2 bilhões. “Talvez essa não seja a melhor alocação de recursos no momento”, opinou Barroso. Ele lembrou que a realização do Censo, por exemplo, foi recentemente adiada por falta de recursos.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro é um grande defensor do voto impresso. Apesar de ter vencido as eleições em 2018, ele garante que houve fraude nas urnas. Mas nunca apresentou provas. Com o atraso na apuração dos votos de Trump contra Biden, ele emendou essa:

“A minha foi fraudada. Eu tenho indício de fraude, era para eu ter ganhado no primeiro turno. Ninguém reclamou que foi votar no 13 e que a maquininha não respondia. Mas o contrario sim: quem votava no 17 aparecia o número 13 nas urnas, mas o contrário, ninguém que votava no 13 aparecia o número 17. Tinha uma colinha lá no numero 7. O pessoal fraudou as maquininhas, sabotou. Mas ninguém botou cola no número 13”. Jair Bolsonaro.

Temendo Lula e a baixa popularidade, Bolsonaro já arma um cenário para justificar uma possível derrota democrática: a de que a votação teria sido fraudada.

Curiosamente, em 1994 o Jornal do Brasil noticiava votos falsificados em favor de Jair Bolsonaro. A Justiça Eleitoral identificou cédulas impressas em papeis mais fino que o original favorecendo e então deputado federa, que hoje quer volta do voto impresso.