27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Enem, improbidade e fake news: Weintraub desponta como o pior ministro do Governo

Sua administração chegou acusando diversas faculdades de todo o Brasil de balbúrdia, exatamente o que é o MEC hoje

Abraham Wintraub, ministro do MEC

Diante de diversas polêmicas envolvendo os ministros do Governo Jair Bolsonaro, desde suas polêmicas às acusações de corrupção, o ministro da Educação, Abraham Weintraub está conseguindo se destacar. Da pior forma possível, nesta semana ele vem conseguindo se destacar como o pior chefe de pasta.

Usuário assíduo do Twitter, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não deixou a rede social de lado em meio à crise envolvendo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), uma das principais portas de entrada ao ensino superior no Brasil.

Em uma de suas interações, atendeu ao pedido de um seguidor alinhado ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) para recorrigir a prova do Enem de sua filha. E com isso, a Defensoria Pública da União enviou nesta segunda (27) um documento à Justiça para manifestar a “seríssima ofensa ao princípio da impessoalidade”.

Dorini lembrou que trata-se de um pilar da administração pública, previsto na Constituição Federal.

“Se aqueles que fazem pedidos informais nas redes sociais para revisão da nota são atendidos, por que não o são aqueles que o fizeram pelo canal criado pela própria Administração? E por que não se informa adequadamente cada um dos solicitantes da revisão, caso de fato ela já tenha sido realizada, já que o próprio Ministro da Educação pôde fazê-lo pelas redes sociais para alguém que aparentemente ele sequer conhece pessoalmente”? João Paulo Dorini, procurador da Defensoria Pública da União.

A representação foi feita na ação que resultou na decisão da Justiça Federal de São Paulo de suspender a divulgação do resultado do Sisu. A decisão ordena que o MEC explique como checou a nota dos estudantes.

Ética

Por unanimidade, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta terça-feira (28) , em sessão fechada, aplicar uma advertência ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, informou o Antagonista.

No ano passado, quando petistas criticavam o governo pelo caso do sargento que foi preso com 40 kg de cocaína numa viagem para a Espanha, Weintraub escreveu no Twitter que o “avião presidencial já carregou drogas piores que a cocaína”.

Abraham Weintraub tem passagens conturbadas nas redes sociais. O ministro de Bolsonaro usa sua conta no Twitter para atacar jornalistas, a esquerda e recentemente determinou nova análise da prova do Enem de uma candidata após receber reclamação do pai dela –que nas redes sociais se mostra alinhado ao governo Bolsonaro–, via Twitter.

Fake news

Abraham Weintraub, ministro da Educação, postou em seu Twitter na manhã desta segunda-feira (27), uma publicação que informava a demissão de Reinaldo Azevedo. O título da suposta notícia diz que “A Band News resolveu demitir o jornalista Reinaldo Azevedo”.

Weintraub aproveitou a demissão para cutucar o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), e foi irônico em relação ao investimento da administração estadual em relação ao IPVA.

Horas depois, o ministro postou novamente em seu Twitter se desculpando e aproveitou para alfinetar alguns veículos de informação (não especificou nenhum), que segundo ele divulgam desinformação.

MEC alvo de ações

O Ministério da Educação é alvo de ações populares e ações civis públicas em virtude das falhas na correção do Enem. As ações pedem a suspensão da divulgação do resultado do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Na última sexta-feira, a Defensoria Pública da União conseguiu uma liminar na Justiça Federal de São Paulo proibindo a divulgação dos resultados do Sisu, previsto para amanhã. A liminar foi mantida ontem pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que não aceitou o recurso da União.

Balbúrdia

Vale lembrar que sua administração chegou acusando diversas faculdades de todo o Brasil de balbúrdia. E que a defesa destas estava repleta de fake news. Só que diante de seu péssimo 2020 (ainda é janeiro), fica a dúvida: o ministro do MEC vai continuar fazendo gracinha?