28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Queiroga mantém viva mentira do “cloroquina sim, vacina não” com demora em negar norma técnica

Técnicos do Ministério da Saúde colocaram cloroquina como eficaz e vacina como não efetiva, dando dias de munição para o gado bolsonarista

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, parece não ter decidido ainda o que quer fazer da vida: se vai seguir lambendo as botas do presidente Bolsonaro e se curvando ao culto do bolsonarismo, tudo para se manter ministro ou se a experiência como cardiologista vai falar mais alto e defender de vez a vacinação contra Covid.

Isso porque, ontem (24), ele resolveu mais uma vez dizer que a prioridade da pasta é ampliar a vacinação contra a covid-19, diante do aumento de casos de contaminação pela variante Ômicron.

A afirmação, clara, é óbvia. É preciso ser mal intencionado, conspirador ou retardado para agir contra a vacinação durante uma pandemia, mas é exatamente o que vem acontecendo no governo Bolsonaro.

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Na semana passada, por exemplo, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Netto, afirmou em uma nota técnica assinada por ele que as vacinas contra a covid-19 não possuem efetividade e segurança e que a hidroxicloroquina tem.

Ou suja: durante dias o Ministério da Saúde assinou uma norma dizendo que vacinas não funcionam. E que a hidroxicloroquina, medicamento para doenças autoimune, funciona. Isso foi insano.

Hélio Angotti Netto, em um governo competente, seria exonerado e sua informação refutada com veemência. Entretanto, como aprecia uma boa desinformação, o governo Bolsonaro reacendeu esta mentira. E por dias o gado teve em mãos uma “prova” de que vacinas não funcionam e que a cloroquina do presidente sim.

Demorou, mas Queiroga falou o contrário, no programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil:

“Essas medicações foram utilizadas no começo da pandemia e, na época, o uso era chamado de ‘uso compassivo’. Todos usaram. Posteriormente, se viu que nessas situações, essa medicação não era mais aplicada e foi testada em outros contextos, né? Essas medicações, inclusive eu já falei, são medicações cujo o uso científico ainda não está comprovada, mas essa confusão que querem criar entre vacina e cloroquina é totalmente descabida”. Marcelo Queiroga.

A fala de Queiroga, ligeiramente sensata (não, não foram “todos” que usaram cloroquina), ainda assim, demorou a aparecer. Mais uma vez.

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Vale lembrar que o ministro, além de seguir como ministro em um governo de Jair Bolsonaro, Queiroga foi o mesmo que tomou frente contra a vacinação infantil, defendeu debater essa questão de forma pública e, ao lado do “não-vacinado” Bolsonaro, ficou de castigo em NY infectado com Covid-19, após mostrar o dedo-médio para protestantes do presidente.

Em tempo: as aspas para o “nã0-vacinado” de Bolsonaro é pelo fato dele impor um sigilo de 100 anos para seu cartão de vacinação. Ou seja: ele tem algo a esconder e assim como seus filhos também deve ter se vacinado.

Apenas não volta atrás em seu discurso para não admitir erro. Não é a toa, que seu governo tenta perpetuar o mito da eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19.

Pura desinformação para ocultar os erros que vem cometendo, um atrás do outro. Ao custo da vida de muitos brasileiros. Para ele, “insignificantes”, sejam adultos ou crianças.