17 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Justiça

Moro na PF: Celso de Mello autoriza depoimento de três ministros do governo

Ministro do STF também autorizou a entrega de gravação de reunião em que os ministros testemunharam ameaça de Bolsonaro contra Moro

O ministro do STF, Celso de Mello, atendeu pedido apresentado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, na tarde desta terça (5). O decano deu 20 dias para o cumprimento das diligências.

A decisão foi tomada no inquérito que apura as acusações do ex-ministro Sergio Moro de tentativa de ‘interferência política‘ do presidente Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal.

Celso de Mello também autorizou a entrega de gravação de reunião em que os ministros testemunharam ameaça de Bolsonaro contra Moro, além de oitivas com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e seis delegados da Polícia Federal envolvidos na crise da troca de comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro, em agosto passado.

Convocados

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou a cópia da gravação e autorização para colher os depoimentos de Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos, assim como da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

A parlamentar trocou mensagens com Moro nas quais pedia ao então ministro que aceitasse a exoneração do hoje ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Em troca, ela influenciaria Bolsonaro a indicá-lo ao STF na vaga que abrirá em novembro. Aras pediu que as diligências fossem realizadas em até cinco dias depois que todos fossem intimados da decisão.

O PGR também solicitou ao Supremo que aprove oitivas com seis delegados da Polícia Federal envolvidos no atrito entre Bolsonaro e Moro em agosto do ano passado, quando o presidente tentou emplacar um nome de sua confiança para assumir a Superintendência da PF no Rio de Janeiro, foco de interesse da família.

Além de Valeixo, Aras quer ouvir o ex-superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi; o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva; o chefe da PF em Minas, Rodrigo Teixeira; o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que havia sido indicado por Bolsonaro para a direção-geral da PF; e o recém-indicado diretor-executivo da PF, Carlos Henrique de Oliveira Sousa.