25 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Site de Fake News perde patrocínios e Governo age para BB manter financiamento

Após Sleeping Giants afastar PicPay, Submarino, Dell e outros do “Cidade Online”, o secretário de comunicação Fabio Wajngarten prometeu que iria rever a situação do Banco do Brasil. Isso a pedido de um dos colaboradores do site

Alagoas, Brasil e praticamente todo mundo: não há um local livre de fake news, termo que floreia o conceito de pós-verdade: a informação com mentira.

Este é um universo complexo, que se aproveita da falta de atenção do indivíduo ou sua necessidade de topar com um “fato” mais fácil de aceitar. Mas ainda assim, é possível categorizar em pelo menos três grupos os tipos de pessoas que praticam este ato criminoso:

  1. Fazem pela anarquia: Há quem goste de causar caos ao espalhar mentiras. E estes devem ter um certo prazer em ver muita gente caindo na lorotas que criam. Sejam elaboradas ou não.
  2. Fazem pelo dinheiro: Há uma indústria por trás disse. E inventar história acaba atraindo números valoroso para sites de cunho duvidoso, que espalham fake news e ganham muito dinheiro com as visitas.
  3. Fazem pelo poder: Grupos organizados fazem isso pra desestabilizar a política e tenho algum ganho. Ou mesmo destruir reputações. Nessa, temos agentes públicos no meio, como no Gabinete do Ódio bolsonarista.

E é exatamente quando se reúne aqueles que buscam poder e dinheiro que a indústria das fake news prolifera. Acusações graves, fatos destorcidos, invenções de leis, camuflagem de números, uso de imagens de outro países ou datas para ilustrar algo atual e local.

Só que essa indústria pode ter sofrido um pouco nesta semana. Isso porque um portal de notícias de extrema direita, muto popular e que lucra muito dinheiro com anunciantes pelos banners automáticos do Google Adsense, foi alvo de ação que ataca fakers.

O Sleeping Giants nasceu com a proposta de avisar às grandes empresas que seus anúncios apareciam em sites racistas e de fake news. Mais precisamente, este de extrema-direita, o “Jornal da Cidade Online”.

O site “Aos Fatos”, especializado em desmentir notícias falsas, já classificou o “Cidade Online” como “rede articulada de desinformação”. Recentemente, a Justiça do Rio de Janeiro condenou os donos do site a indenizarem o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, por danos morais.

Na decisão, a juíza Sylvia Therezinha Hausen de Area Leão afirmou que “algumas delas (publicações) possuem caráter indubitavelmente ofensivo e injurioso, principalmente as que afirmam que o autor é de baixíssimo nível, que sua administração causou a falência da OAB e que o autor é um escroque”.

Seu conteúdo vexaminoso, é infestado mentiras criminosas e racistas, do início ao fim, claramente alinhado ao governo Bolsonaro. E quando as empresas foram notificadas que seus banners apareciam nesse site, começaram a declarar publicamente que haviam bloqueado o mesmo. Ou seja: a fonte financeira secou.

Em contra-partida, o dono do portal fez um texto citando a Bíblia, claro, se fazendo de vítima. Ele seria praticamente Cristo e toda a culpa seria da esquerda. E foram além ao criar uma matéria sobre eles próprios: “Empresas que estão apoiando ‘censura’ ao Jornal da Cidade Online perdem clientes de maneira avassaladora”.

Em seu mundinho de mentiras, afirmaram que Dell, PicPay, Telecine, Submarino, estão “perdendo clientes de maneira avassaladora”. E ilustraram a matéria com 10 prints, de pessoas dizendo que não iriam mais comprar nessas empresas. Pura fake news. E que gente como a deputada Carla Zambelli ajudou a compartilhar.

E não para por aí.

Banco do Brasil vs Bolsonaro e Jornal da Cidade Online

O Banco do Brasil (BB) também informou suspender seus anúncios do site acusado de compartilhar notícias falsas, após uma campanha promovida pelo movimento recém-criado com o objetivo justamente de impedir a publicidade em sites considerados por eles “racistas ou de fake news”.

Na terça-feira, o Sleeping Giants cobrou o Banco do Brasil por anunciar no “Jornal da Cidade Online”, dizendo que ele é “um site conhecido por espalhar Fake News”.

Nesta quarta-feira, o Banco do Brasil respondeu à publicação no Twitter dizendo que “os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado”. O banco acrescentou repudiar “qualquer disseminação de Fake News”.

Como resposta, o veículo a matéria com chamado ao boicote das empresas que deixarem de anunciar nas páginas criticadas pelo Sleeping Giants.

E o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do “Jornal da Cidade Online”, afirmando que o Banco do Brasil “pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas”.

Já o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Fabio Wajngarten, criticou o Sleeping Giants, dizendo que o perfil “precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias”. Depois, cobrado por uma pessoa que citou o caso, Wajngarten afirmou estar “contornando a situação”, sem entrar em detalhes.

Ou seja: o secretário de Comunicação do presidente sugeriu no Twitter que o governo está revendo a decisão do Banco do Brasil de parar de anunciar em um site condenado na Justiça pela difusão de fake news.

Sleeping Giants

O Sleeping Giants Brasil é um perfil no Twitter, criado na última segunda-feira, inspirado em uma página de mesmo nome que existe desde 2016 nos Estados Unidos.

“Visamos impedir que sites preconceituosos ou de Fake News monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las”, diz a descrição do perfil, que tem 25 mil seguidores. Não há uma identificação sobre os responsáveis pela página.