25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Não é preciso oposição: Bolsonaristas se atacam nas redes sociais

Olavo de Carvalho, Silas Malafaia, Kim Kataguiri e Joice Hasselmann são apenas alguns dos inúmeros fogos amigos no governo

Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), apenas vereador no Rio de Janeiro, é o homem forte do presidente Jair Bolsonaro (PSL), seu pai, nas redes sociais. E sua atuação afetou o desempenho da atuação do governo no diálogo político.

Como candidato, as fake news de “kit gays” e outros absurdos preocupantes, estes “no tocante” de ódios contra minorias um discurso mais belicista, a mensagem conseguiu apoio entre eleitores que queriam uma mudança. Podia-se dizer tudo de negativo com Bolsonaro, mas não que era corrupto.

Só que passada as eleições e sua posse, o governo Bolsonaro não se adaptou na figura de governo, insistiu na linguagem populesca na internet (teve até vídeo obsceno no Twitter do presidente) e a situação chegou em seu limite quando Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse “chega”. O projeto de segurança de Moro, inclusive, foi engavetado.

Maia largou a articulação da reforma da previdência após um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com fortes críticas a ele. Isso depois de ter que corrigir a empolgação de Sergio Moro e enquadrar, publicamente, o “funcionário do presidente”.

Picuinha nas redes

Bastava um pouco de tato para reverter a situação com Maia e deputados da oposição para garantir a aprovação de pautas importantes. Mas assim como nas crises internas nos ministérios, a oposição não precisou se esforçar muito, já que o governo está se matando pela própria boca.

Kim Kataguiri, idealizador do MBL e agora deputado federal (DEM-SP), do mesmo partido de Maia, ironizou a participação do PSL na eleição de Maia na Câmara e como o partido do presidente minou a de Renan Calheiros (MDB-AL), no Senado. A deputada Joice Hasselmann, do PSL, tomou as dores.

Vale lembrar que o Joice Hasselmann (SP), antes de assumir o cargo, brigou no Whatsapp com colegas de partido, pois ela queria assumir a liderança do partido na Câmara. Briga esta com Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), outro filho problema do presidente.

Aliados fora da política

Infelizmente, Bolsonaro tem como guia ideológico o astrólogo Olavo de Carvalho, um autoproclamado filósofo, que sem nunca ter terminado o primário, afirma que todas as faculdades brasileiras são antros de orgia e que os jornalistas do país são todos drogados.

Duvidando das teorias de Einsten, Carvalho, que afirma que a Pepsi usa fetos abortados como adoçante que suspeita que a Terra seja plana, tem cadeira cativa ao lado do presidente, como na visita deste nos Estados Unidos – onde mora – e influencia cadeiras no ministério, como o anti Europa e anti marxista Ernesto Araújo no ministério das Relações Exteriores e o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, no MEC.

Mas Carvalho é outro que não se cala e tem como um dos alvos a falta de ataques à esquerda.

Sobrou até para Malafaia e os evangélicos:

O pastor Silas Malafaia foi um dos grandes apoiadores de Bolsonaro nas eleições e antes da posse fez uma missa ao lado do então futuro presidente. Na ocasião, Jair disse que admitiu não ser o mais capacitado para ser o presidente do Brasil. Extremamente preocupante, mas arrancou aplausos ao dizer que “Deus Capacita os escolhidos”.

E essa adoração entre evangélicos é o terreno de mais uma disputa acirrada no entorno do governo, que pode definir o futuro do MEC ou mesmo aprovações de reformas na Câmara e Senado. Hoje eles disputam quem é o “pai da criança”, sem se tocar que ela segue agindo como criança: não há adultos no governo. As ideia são erradas, não há diálogo e passam o tempo todo no Twitter e Whatsapp.

Aliás, com perdão às crianças, elas não perdem tempo fazendo textões como este nas redes sociais. Que a depender do ponto de vista, pode fazer você rir da confusão interna ou mesmo de nervoso, pois algo muito pior pode estar por vir.