29 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Com Brasil batendo recordes de mortes, Bolsonaro critica OMS e fala em “frescura” e “mimimi”

Presidente vem fazendo onde de discursos de sabotagem, mostrando-se ser contra auxílio, vacinação e até mesmo uso de máscaras

Nem mesmo os recordes de mortes por covid-19, batidos diariamente, são o suficiente para o presidente Jair Bolsonaro acordar para a realidade e deixar de sabotar ações contra a pandemia.

Desta vez, em discurso em Goiás, na tarde desta quinta (4), o presidente voltou a atacar a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para usar o isolamento social e chamou as determinações de fechamento de atividades não essenciais de “frescura” e “mimimi”.

“Vocês não ficaram em casa, não se acovardaram. Temos que enfrentar nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi, vamos ficar chorando até quando? Respeitar obviamente os mais idosos, aqueles que têm doenças. Mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos”? Jair Bolsonaro, presidente.

Bolsonaro também minimizou aglomerações e lamentou mortes, mas disse que elas fazem parte do dia a dia e apenas para os idosos e portadores de comorbidades. O que já deixou de ser o caso, há muito tempo, nesta pandemia.

Presidente diz que não errou

Nesta segunda-feira, ainda surfando em sua versão dos fatos, Bolsonaro afirmou que não errou nenhuma previsão desde que a OMS decretou pandemia mundial, em março do ano passado. Isso mesmo: ele disse que não errou nenhuma vez. O presidente se declarou um ser perfeito e que não teria errado nem quando achou estar errado.

Não errou em 22/03 quando de maneira tosca previu menos de 800 mortes na pandemia

Nem em 13/08, quando desmereceu a evidente chegada da 2ª onda que vivenciamos

Para isso ser verdade, há apenas duas alternativas:

  • Bolsonaro tanto mentiu e manipulou que não pode mais voltar atrás. Mesmo ficando cada vez mais absurdas, conspiratórias e forçadas, ele não pode recuar de suas mentiras por causa de seu curral eleitoral. Seu gado acredita em todas as suas palavras e qualquer rachadura em seu discurso minaria a coisa mais importante para ele no momento: as eleições de 2022.
  • Bolsonaro realmente acha que está falando a verdade. Esta alternativa não é mais tão reconfortante. Como lidar com um sociopata que acredita nas próprias mentiras? Ou apenas mais um louco conspirador que realmente acredita no “foro de São Paulo” e nos males da vacinação. Também pode ser um idiota com mania de grandeza, garoto propaganda ideal do efeito Dunning–Kruger.

 

Independente destas duas alternativas, é preciso deixar claro: o que não faltou ao presidente foram informes, briefings, atualizações científicas, apelos de especialistas e comparações com casos de sucesso ou de fracasso.

Mesmo que ele seja um insano que ache estar falando a verdade, o dolo já está implícito. Se o indivíduo recebe um caminhão de orientações para não fazer algo errado e mesmo assim faz, a culpa é sua, pois aviso foi o que não faltou. Ou isso, ou indivíduo é um idiota que não deveria estar apto a tomar decisões e precisa ser retirado de onde está. Imediatamente.

Discursos e ideias matam. E o presidente, que já possuía uma retórica caótica, manteve sua incoerente coerência durante toda a crise do novo coronavírus (fiquem atento aos links em cada um dos tópicos):

 

É preciso dizer o óbvio: Bolsonaro fez, faz e vai continuar fazendo tudo de errado durante esta pandemia. Mas sabemos que lembrar isso é dar murro em ponta de faca: os obcecados que agem como audiência da Praça é Nossa durante suas falas e defendem seus ideais burros e mentirosos são uma prova de que discursos e ideais matam.

Não vai melhor. Só vai piorar. Tudo indica para um quadro horrível de hospitais lotados e pessoas morrendo sufocadas em casa se não houver decretos mais rígidos, mais vacinação e, especialmente, um Governo Federal alinhado com práticas óbvias e necessárias.

Mas o Governo Federal não vai se alinhar. Continuará mentindo, por um motivo ou por outro. E todos já sabemos que com dolo. Até quando?